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CÂMARA DOS DEPUTADOS |
COMISSÃO DE AGRICULTURA, PECUÁRIA, ABASTECIMENTO E DESENVOLVIMENTO RURAL
54ª Legislatura - 4ª Sessão Legislativa Ordinária
ATA DA QUINTA REUNIÃO ORDINÁRIA
AUDIÊNCIA PÚBLICA
REALIZADA EM 25 de março de 2014.
Às
quatorze horas e cinquenta e oito minutos do dia vinte e cinco de março de
dois mil e catorze, reuniu-se a Comissão de Agricultura, Pecuária,
Abastecimento e Desenvolvimento Rural, no Anexo II, Plenário 8 da Câmara
dos Deputados. Estavam presentes os Deputados Paulo Feijó - Presidente;
Alexandre Toledo, Dilceu Sperafico, Junji Abe, Lira Maia, Nelson Padovani,
Nilson Leitão, Odílio Balbinotti, Oziel Oliveira, Paulo César Quartiero,
Raimundo Gomes de Matos, Valmir Assunção e Wellington Roberto – Titulares.
Betinho Rosado, Daniel Almeida, Eleuses Paiva, Irajá Abreu e Jesus
Rodrigues – Suplentes. Compareceu também o Deputado Mauro Benevides – como
não membro. Deixaram de comparecer os Deputados: Abelardo Lupion, Amir
Lando, Anselmo de Jesus, Antônio Andrade, Augusto Carvalho, Beto Faro,
Carlos Magno, Celso Maldaner, Domingos Sávio, Fernando Marroni, Giacobo,
Giovanni Queiroz, Hélio Santos, Heuler Cruvinel, Humberto Souto, Jairo
Ataíde, Josué Bengston, Leandro Vilela, Luci Choinacki, Luis Carlos
Heinze, Marcon, Moreira Mendes, Onyx Lorenzoni, Padre João, Reinaldo
Azambuja, Roberto Balestra e Roberto Dorner. Justificaram a ausência os
deputados Jorge Boeira e Luiz Nishimori. ABERTURA
–
O Presidente, Deputado Paulo Feijó, declarou
aberta a reunião, cumprimentou
a todos, agradeceu a presença dos parlamentares e convidados, e esclareceu
que a reunião tinha a finalidade de "debater
a situação da renegociação das dívidas dos produtores rurais atingidos
pela estiagem na Região Nordeste”, objeto
do Requerimento
n.º
521/14,
de autoria dos Deputados Raimundo Gomes de Matos - PSDB/CE e Valmir
Assunção - PT/BA. O Presidente
esclareceu
as regras para o procedimento da reunião e convidou para compor a Mesa os
senhores JOÃO PINTO RABELO JUNIOR - Secretário-Adjunto da Secretaria de
Política Econômica, representando o Ministério da Fazenda; NICOLA MOREIRA
MICCIONE - Gerente de Ambiente de Recuperação de Crédito do Banco do
Nordeste do Brasil S.A., representando o Presidente do Banco; MÁRIO
ANTÔNIO PEREIRA BORBA - Presidente da Federação da Agricultura do Estado
da Paraíba, representando a Presidenta da Confederação da Agricultura e
Pecuária do Brasil - CNA; e LUIZ CARLOS RIBEIRO LIMA - Presidente da
Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Ceará - FETRAECE.
O Presidente informou que o Banco do Brasil foi convidado, mas justificou
a ausência. Prosseguindo, registrou a presença de dois prefeitos do Estado
do Rio de Janeiro, o Sr. Aguinaldinho, do município de Cambuci, e o Sr.
Leozinho, do município de Italva. Em seguida, passou a palavra ao
Sr.
João
Pinto Rabelo Júnior
para suas considerações iniciais, pelo tempo de vinte minutos. O convidado
cumprimentou a todos, agradeceu o convite para a reunião e enfatizou que
seria este o momento de renegociação das dívidas dos produtores rurais.
Esclareceu que a cobrança das parcelas está suspensa e que, para os
produtores rurais adimplentes, tanto da agricultura familiar como da
empresarial, o saldo das dívidas será renegociado em dez parcelas anuais
pelo prazo de dez anos a partir de 2015, para os produtores empresariais,
e a partir de 2016, para os produtores da agricultura familiar e que o
prazo de formalização da renegociação da dívida é até trinta de junho de
dois mil e quatorze. Para os agricultores inadimplentes, continuou o
convidado, o saldo da dívida após o ano de dois mil e sete será
reprogramado, também, pelo prazo de dez anos, com início de pagamento para
2015 e 2016, para os produtores empresariais e agricultura familiar,
respectivamente, e o prazo de renegociação da dívida será o mesmo citado
anteriormente. Informou, também, que existe a possibilidade de haver
rebates expressivos sobre as dívidas anteriores ao ano de dois mil e seis,
no entanto, alertou para a baixa adesão ao plano de renegociação das
dívidas e ao risco de perda de prazo. Em seguida, o Presidente destacou a
presença do Deputado Mauro Benevides, cuja atuação honra esta Casa, o
Estado do Ceará e o Parlamento brasileiro. Prosseguiu a reunião passando a
palavra, pelo tempo de vinte minutos, para o Sr.
Nicola Moreira Miccione,
que cumprimentou a todos e esclareceu que o Banco do Nordeste, respaldado
por leis, resoluções específicas e pelas medidas governamentais que
preveem as consequências da estiagem dos anos de dois mil e doze e dois
mil treze, tem chamado os agricultores para fazerem a renegociação das
dívidas, cujos prazos de formalização estendem-se de junho até o final do
ano. O Presidente passou a palavra, então, ao Sr.
Mário Antônio Pereira Borba,
que cumprimentou a todos, agradeceu o convite de participação na Audiência
Pública e declarou o seu protesto pela ausência de representantes do Banco
do Brasil nesta reunião e a sua indignação com o Banco por manter-se
distanciado dos estados do Nordeste e pelas dificuldades dos produtores
rurais em negociar suas dívidas, visto que o Banco fixou o Gecor –
cobrança judicial São Paulo, o escritório de cobranças das dívidas dos
produtores do Nordeste, na cidade de São Paulo. Alegou, também, que desde
a seca do ano de mil novecentos e noventa e dois, já passam de trinta
medidas provisórias e vinte projetos de lei, contudo, não atenderam e não
conseguiram resolver os problemas e as necessidades dos agricultores do
Nordeste. Questionou, ainda, a falta de política agrícola para o Nordeste
e pediu a suspensão das execuções que já foram aprovadas por uma lei, mas
que falta ser regulamentada. Em resposta às indagações quanto a ausência
do Banco do Brasil na audiência pública, o Presidente passou a ler o
ofício do Banco do Brasil no qual agradeceu o convite, colocou-se
disponível para a Comissão, no entanto, não designou nenhum representante
para a reunião. Em seguida, o Presidente concedeu a palavra ao
Sr.
Luiz Carlos Ribeiro Lima,
informando que teria vinte minutos para suas manifestações, ao tempo que
cumprimentou a todos, agradecendo o convite, ressaltou a dificuldade do
pequeno agricultor em adquirir créditos agrícolas junto às instituições
bancárias em razão de dívidas bancárias anteriores que não foram
renegociadas e, também, pediu apoio dos parlamentares para que o crédito
emergencial do Pronaf fosse prontamente efetivado por tratar-se de um
suporte importante para os agricultores da agricultura familiar. O
Presidente, então, passou a palavra para o Deputado Raimundo Gomes de
Matos, autor do Requerimento, que por sua vez, cedeu o seu tempo ao
Deputado
Mauro Benevides
para fazer suas considerações, que manifestou sua preocupação quanto à
autonomia dos diretores que representam os bancos nesta reunião em razão
do atendimento das demandas dos produtores rurais requererem celeridade
nas tomadas de decisões. Em seguida cedeu a palavra ao Deputado
Nelson Padovani,
que registrou que o Brasil possui seis ponto sete por cento de suas terras
asseguradas enquanto os Estados Unidos tem noventa e oito por cento. Por
esta razão pediu a participação da Comissão de Agricultura para agilizar a
regulamentação do fundo de catástrofe já aprovado por esta Casa. O
Presidente concedeu a palavra, então, ao Deputado
Raimundo Gomes
de Matos, autor do requerimento desta reunião, que destacou a importância
da presença das entidades que representam os produtores rurais e
trabalhadores na agricultura, que trouxeram ao conhecimento dos membros
desta Casa suas demandas e dificuldades e manifestou, também, seu protesto
pela ausência de representantes do Banco do Brasil, que considerou como
falta de respeito com os parlamentares. Com a palavra, o Deputado
Jesus Rodrigues
indagou ao representante do Banco do Nordeste se confirmava a informação
que o Ministério da Fazenda não responde a uma consulta do Banco do
Nordeste quanto à aplicabilidade da lei 12.844 impedindo, dessa forma, a
renegociação das dívidas dos agricultores. Prosseguiu com a reunião o
Deputado Raimundo Gomes de Matos, no exercício da presidência, e concedeu
a palavra ao Deputado
Irajá Abreu,
que questionou a razão do Ministério da Fazenda descumprir o artigo oitavo
da Lei 12.844, que declara não serem passíveis de execução as dívidas dos
agricultores até trinta e um de dezembro de dois mil e quatorze, ao
representante do Banco do Nordeste sobre o motivo dos agricultores
adimplentes serem impedidos de obter outros financiamentos e quais foram
os resultados obtidos pelo banco nas renegociações das dívidas dos
agricultores. O Presidente (em exercício) passou a palavra para o
Sr.
João Pinto Rabelo Júnior
para as devidas respostas e considerações finais, que esclareceu que a Lei
12.844 foi alterada pela Lei 12.872, cuja regulamentação ocorreu no mês de
dezembro de dois mil e treze e que forneceu novas diretrizes para as
renegociações da dívida agrícola. O
Deputado Oziel Oliveira
intercedeu questionando a ausência de diretrizes lineares do banco e que
valham para todos os agricultores sem a necessidade de termo de adesão do
agricultor. Ao que o convidado explicou que já houve um grande número de
operações de renegociações de dívidas realizadas nos meses de julho a
dezembro do ano passado, mas o objetivo é alcançar os que faltam
renegociar suas dívidas e que integram uma parcela menor de agricultores.
Em seguida, o Presidente (em exercício) passou a palavra para o
Sr.
Nicola Moreira Miccione
para suas manifestações finais, que afirmou que no Banco do Nordeste todas
as decisões são tomadas por um colegiado. Excepcionalmente, continuou, a
decisão fica restrita à alçada superior, no entanto, mais de seiscentos e
vinte mil operações de renegociação já foram realizadas e, conforme o que
determina a lei, todas as operações de execução foram suspensas
automaticamente. Intercedeu o Deputado
Betinho Rosado
indagando se não vigora para o Banco do Nordeste a determinação de não
cobrar os honorários advocatícios para os casos de execução, de acordo com
a resolução da Conel – Conselho dos governadores. O Sr.
Nicola
respondeu que trata-se de um item da lei que precisa de regulamentação
específica. O Presidente (em exercício) questionou sobre as taxas cobradas
pelo Banco do Nordeste denominada: “visita técnica para avaliação
patrimonial”. O Sr.
Nicola
afirmou que não deve haver este tipo de cobrança e pediu aos deputados
presentes que informem à direção do banco sobre esses casos para serem
corrigidos. O Presidente (em exercício) concedeu a palavra ao
Sr.
Luiz Carlos Ribeiro de Lima
que alegou a falta de uniformidade das agências na renegociação das
dívidas e na aplicação de novo crédito aos devedores. Ao que o
Sr.
Nicola
interveio informando que o Banco do Nordeste lançou o Plano de Excelência
no Atendimento com a finalidade de uniformizar o atendimento em todas as
agências. O Presidente (em exercício) passou a palavra para o Sr.
Mário Antônio Pereira Borba,
que enfatizou a distorção de tratamento existente entre as agências e os
clientes, cuja diferença pode ser regional e até por gerências. O
Presidente (em exercício) concedeu a palavra ao Deputado
Oziel Oliveira,
que mostrou preocupação quanto ao plano especial para o semiárido lançado
pela Presidenta Dilma, na Bahia, e que houve uma grande frustração com ele
e quis saber sobre o posicionamento do Banco em relação a este Plano. Ao
que o Sr.
Nicola
ressaltou que há algumas orientações que não são cumpridas por todas as
agências uniformemente e que são casos que serão levados para correção
junto à direção. Nada
mais havendo a tratar, o Presidente (em exercício) agradeceu a todos e
encerrou os trabalhos às dezesseis horas e cinquenta e dois minutos;
antes, porém, convocou Reunião Ordinária Deliberativa para o dia vinte e
seis de março de dois mil e catorze, às dez horas, no Plenário 6 desta
Casa. O inteiro teor foi gravado, passando as notas taquigráficas a
integrarem o acervo documental desta reunião. E,
para constar, eu, Moizes Lobo da Cunha, ________________________,
secretário, lavrei a presente Ata, que por ter sido lida e aprovada, será
assinada pelo Presidente, deputado Paulo Feijó, _________________________,
e publicada no Diário da Câmara dos Deputados. xx
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