|
CÂMARA DOS DEPUTADOS |
COMISSÃO EXTERNA
PARA ACOMPANHAR AS AÇÕES E MEDIDAS QUE POSSAM ENVOLVER A EMPRESA ANGLO FERROUS
AMAPÁ MINERAÇÃO LTDA, O ESTADO DO AMAPÁ E UNIÃO FEDERAL, PARA RECONSTRUÇÃO DO
PORTO DE MINÉRIO DA ICOMI E DEMAIS DANOS ORIUNDOS DO GRAVE ACIDENTE OCORRIDO NO
ESTADO DO AMAPÁ, EM 28/03/2013, COM ÔNUS PARA A CÂMARA DOS DEPUTADOS
54ª Legislatura - 3ª Sessão Legislativa Ordinária
ATA DA 4ª REUNIÃO
ORDINÁRIA
REALIZADA EM 05 DE SETEMBRO DE 2013
AUDIÊNCIA PÚBLICA
Às
dez horas e treze minutos do dia cinco de setembro de dois mil e treze,
reuniu-se a Comissão Externa destinada acompanhar as ações e medidas que
possam envolver a empresa Anglo Ferrous Amapá Mineração Ltda, o Estado do
Amapá e União Federal, para reconstrução do Porto de Minério da ICOMI e
demais danos oriundos do grave acidente ocorrido no Estado do Amapá, em
28/03/2013, com ônus para a Câmara dos Deputados, no Anexo II, Plenário 14
da Câmara dos Deputados, com a presença dos Deputados Fátima Pelaes -
Coordenadora; Luiz Carlos - Relator; Evandro Milhomen, Sebastião Bala
Rocha e Vinicius Gurgel – Titulares. Deixaram de comparecer os Deputados
Dalva Figueiredo, Janete Capiberibe e Leonardo Quintão. ABERTURA: Havendo
número regimental, a Coordenadora declarou abertos os trabalhos e colocou
à apreciação as Atas da 2ª Reunião Deliberativa Ordinária, realizada no
dia 23 de abril de 2013 e da 3º Reunião Ordinária de Audiência Pública,
realizada no dia 24 de abril de 2013. Em votação, as atas foram aprovadas.
ORDEM
DO DIA: I
- Audiência
Pública. Compareceram à
audiência pública os senhores BRUNO DE OLIVEIRA PINHEIRO, Superintendente
de Fiscalização e Coordenação da ANTAQ; JOSÉ LUIZ MARTINS, Diretor da
Anglo Ferrous Amapá Mineração Ltda e ATUL INJAKTAR, Diretor de Projetos da
Zamin Ferrous Group. Inicialmente,
a Coordenadora concedeu a palavra ao senhor Bruno de Oliveira Pinheiro,
que iniciou sua exposição fazendo um histórico das ações de fiscalização
da Antaq antes e após acidente, esclarecendo que a ANTAQ fiscalizou
durante o ano passado os 129 terminais privativos e os 34 portos
organizados. O senhor Bruno também informou que a última fiscalização
ordinária realizada na Anglo Ferrous fora feita em novembro de 2012,
quando foram avaliadas a existência de alguma construção não conhecida e
autorizada pela ANTAQ, toda parte de documentação trabalhista e a
observância dos limites de capacidade estática do porto. Acrescentou,
ainda, que em dezembro de 2012, foi realizada uma fiscalização
extraordinária. Seguiu enumerando as exigências da Antaq quanto à
assinatura das plantas pelo engenheiro responsável, com o respectivo CREA,
além do licenciamento ambiental, licenciamento da prefeitura e licença do
SPU, quando for o caso. Notou que a Antaq não exige os laudos de sondagem,
pois trata-se de uma responsabilidade do engenheiro responsável pela obra.
Por fim, informou que a ANTAQ concedeu uma autorização especial para
utilização do porto de Santana em caráter emergencial, com o objetivo de
não paralisar o escoamento de minério da região. Em seguida, a palavra foi
concedida ao senhor José Luiz Martins que iniciou sua exposição fazendo um
breve relato dos fatos ocorridos desde o acidente. Posteriormente, lembrou
que a empresa prestou integral assistência às famílias vitimadas, além de
ter indenizado todos os moradores alcançados por algum tipo de prejuízo
material. O senhor José Luiz Martins destacou a iniciativa da Anglo de
contratar uma empresa especializada com o objetivo de fazer sondagens e análises para
estabelecer as causas do acidente. No primeiro relatório, a empresa
apontou que a pilha de minérios estocada na área do porto não teve nenhuma
influência no desmoronamento do terreno. No relatório final, a empresa
contratada concluiu que a causa do acidente foi a existência de uma argila
sensitiva, muito rara e recentemente conhecida, que tem como
característica se comportar como uma manteiga que se liquefaz deixando o
terreno desapoiado. O desconhecimento da existência desse tipo de argila
foi a razão pela qual os laudos anteriores não a identificaram. Perguntado
sobre a reconstrução do porto, respondeu que reconstrução levará em
consideração a existência dessa argila sensitiva e a consequente
necessidade de maior aporte financeiro. Sobre o funcionamento do porto,
respondeu que o transporte de minério está sendo feito, provisoriamente,
através de barcaças do píer fixo da empresa até o porto de Santana, sendo
a transferência do minério feita por meio dos guindastes do navio.
Aclarou, ainda, que a empresa usará porto fixo e não mais portos
flutuantes. Na sequência, apresentou filme que reproduziu o acidente,
mostrando que o desmoronamento sobreveio em dois momentos. Em resposta ao
Relator, afirmou que a Anglo possui e enviará à Comissão o relatório
completo de assistência às famílias vitimadas, os laudos técnicos da
reforma do porto de 2007, os laudos de batimetria do canal de Santana e os
laudos e autorizações dos órgãos competentes para solicitação da licença
provisória. Confirmou que os laudos de reforma do porto foram encaminhados
ao IMAP para obtenção da licença ambiental e que o prejuízo total com
acidente ainda não foi quantificado, mas, para que a empresa continue em
funcionamento, estão sendo feitos empréstimos na ordem de 60 milhões de
reais por mês, ficando o minério estocado em garantia. Fez também, rápido
relato das ações sociais desenvolvidas pela empresa em diversos municípios
do Estado do Amapá, deixando clara a possibilidade de novas compensações
sociais por parte da empresa. Em seguida, o senhor Atul Injaktar
esclareceu que a aquisição da Anglo Ferrous pela Zamin ainda não está
concluída, restando apenas a anuência do Governo do Estado para
transferência da concessão da ferrovia e que o acidente não interferiu no
processo de aquisição . Afirmou que a Zamin Ferrous almeja iniciar a
gestão da Anglo e receber o projeto definitivamente, uma vez que o minério
de ferro é uma comodite de baixo valor e que a Zamin tem o objetivo de
investir na ampliação do porto e na criação de uma siderúrgica com uma
acearia para produção de vergalhões, a fim de agregar valor ao minério de
ferro extraído na região. Além do Relator,
Deputado Luiz Carlos, discutiram a matéria os Deputados Evandro Milhomen,
Vinícius Gurgel e Fátima Pelaes. ENCERRAMENTO: Nada mais havendo a tratar, a
Coordenadora encerrou a presente Audiência Pública às doze horas e doze
minutos. Para constar, eu ______________________, Ruthier de Sousa
Silva, Secretário, lavrei a presente Ata que, após ter sido lida e
aprovada, será assinada pela Coordenadora e publicada no Diário da Câmara
dos Deputados. O inteiro teor foi gravado, passando o arquivo de áudio
correspondente a integrar o acervo documental desta Comissão.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
|