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CÂMARA DOS DEPUTADOS |
COMISSÃO DE
AGRICULTURA, PECUÁRIA, ABASTECIMENTO E DESENVOLVIMENTO RURAL
54ª
Legislatura - 3ª Sessão Legislativa Ordinária
ATA DA QUINTA REUNIÃO ORDINÁRIA DE
AUDIÊNCIA PÚBLICA
REALIZADA EM 4 DE SETEMBRO DE
2013
Às quatorze horas e cinquenta minutos do dia
quatro de setembro de dois mil e treze, reuniu-se a Subcomissão Permanente de
Combate à Cartelização do Agronegócio no Brasil, na Sala da Presidência da
Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural – Anexo
II – Ala C – Sala T38 da Câmara dos Deputados, com a presença dos Senhores
Deputados Moreira Mendes - Presidente; Dilceu Sperafico - Vice-Presidente;
Bernardo Santana de Vasconcellos – Relator; Alexandre Toledo, Bohn Gass e Onyx
Lorenzoni – Titulares e Abelardo Lupion, Carlos Magno e Luiz Nishimori -
Suplentes. Deixaram de comparecer os Deputados Leandro Vilela e Oziel Oliveira.
O Deputado Abelardo Lupion, Presidente em exercício, declarou abertos os
trabalhos, cumprimentou a todos e agradeceu a presença dos parlamentares e
convidados e esclareceu que a reunião se destinava a “prestar esclarecimentos
sobre questões relevantes referentes à cadeia produtiva da carne no Brasil e no
mercado internacional”. Em seguida, concedeu a palavra ao sr. Dolivar Coraucci
Neto, Presidente da Ourofino Agronegócio, para suas manifestações iniciais ao
mesmo tempo que o Deputado Moreira Mendes assumiu a presidência dos trabalhos. O
convidado informou que a Ourofino Agropecuária é cem por cento brasileira,
começou pequena no interior do Estado de Minas Gerais e tornou-se a terceira no
ranking nacional das empresas do
setor, concorrendo, inclusive, com as grandes companhias multinacionais. Detém a
maior equipe de vendas no território nacional e a maior planta de produção de
defensivos agrícolas do mundo. Enfatizou, ainda, que a Ourofino é líder do
segmento de reprodução assistida do Brasil, a IATF (inseminação artificial em
tempo fixo). No mercado nacional, a agropecuária é responsável por um aumento de
quinze ou dezesseis por cento no Produto Interno Bruto e que dez por cento desse
aumento corresponde às exportações. Declarou, ainda, que o mercado farmacêutico,
tanto o humano quanto o animal, é o mais regulamentado do mundo. O Presidente
passou a palavra ao Deputado Abelardo Lupion que alegou a eficiência desta
empresa de raízes nacionais. Enfatizou, também, que ela tem credibilidade para
falar sobre os problemas na área e solicitou uma rápida explanação sobre o uso
dos produtos Ivermectina e Ractopamina. Sobre a Ivermectina, o expositor disse
tratar-se de um produto divisor de águas no Ministério da Agricultura e sua
utilização é endossada pela Embrapa. Explicou que o manejo do gado para
utilização de produtos sanitários implica a redução de peso e, consequentemente,
a diminuição do lucro do criador. Com o advento da Ivermectina concentrada
possibilitou uma redução do manejo e minimizou o prejuízo do criador. É,
portanto, um instrumento de performance. Ressaltou que a empresa que ele
representa não concorda que as barreiras sanitárias onerem o produtor
brasileiro, que estão sendo muito penalizados. O Presidente passou a palavra ao
Deputado Onyx Lorenzoni, que questionou como o expositor via o processo de
registro de produtos sanitários no Brasil. O convidado informou que o Brasil tem
um bom arcabouço regulatório, mas o governo brasileiro peca por não cumprir o
regimento no tocante aos prazos. Completou dizendo que é imperativo que o
Departamento de Fiscalização de Insumos Pecuários - DFIP/MAPA tenha estrutura
para cumprir suas atribuições dentro dos prazos normativos. Enfatizou, ainda,
que a liberação de um produto pelo MAPA demora quatro anos. O Deputado Onyx
Lorenzoni pediu a palavra e fez uma série de questionamentos sobre a relação
entre o registro e eficiência desses produtos, sobre os seus resíduos, se a
Ourofino sofre prejuízos pela venda ilegal de produtos contrabandeados e pede
esclarecimentos sobre a utilização da droga Ractopamina. Em resposta, o
convidado disse que o papel da empresa é gerar tecnologia para o país e que o
receituário veterinário do MAPA é bom, mas os estados não estão preparados para
conduzir a fiscalização. O Deputado Carlos Magno pediu a palavra e discorreu
sobre as dificuldades enfrentadas pelo produtor, inclusive pelo próprio MAPA,
que gera tantos percalços na aprovação dos produtos e reconheceu a superação
destas dificuldades pelas empresas. O Deputado Bernardo Santana de Vasconcellos,
no exercício da presidência, endossou o encaminhamento das informações
solicitadas pelo Deputado Onyx Lorenzoni, agradeceu a presença do sr. Dolivar
Coraucci Neto na reunião e concedeu a palavra ao segundo convidado, o sr. Edival
José dos Santos Júnior, Gerente-Geral da Divisão de Saúde Animal da MSD, para
suas manifestações iniciais, que fez uma breve explanação sobre o trabalho da
MSD no desenvolvimento de vários programas para os produtores e de controle de
doenças nos rebanhos. O Presidente passou a palavra ao Deputado Onyx Lorenzoni
que repetiu para o convidado os mesmos questionamentos feitos anteriormente,
especialmente sobre a utilização da Ivermectina e Ractopamina. O convidado
declarou que o processo de registro de remédios no Brasil é extremamente
exigente, em comparação com países da Europa e Estados Unidos. Relatou, ainda,
que o problema está na estrutura do MAPA, na falta de recursos humanos que torna
o processo de avaliação extremamente lento e que uma equipe deficitária
prejudica o produtor, que poderia estar fazendo uso de novas tecnologias para
seus animais. Esclareceu que a utilização de novas tecnologias beneficia toda a
cadeia de carne, ou seja, empresas de remédios, produtores, frigoríficos e o
consumidor final e que o custo de produção da carne é cada vez mais global e as
exigências praticadas no Brasil compromete a competitividade. Sobre o uso da
Ivermectina destacou que é uma temeridade retirá-la da cadeia produtiva no
Brasil, pois o ganho que se teria na exportação de carne enlatada talvez não
compensasse a perda que ocasionaria no mercado interno. Esclareceu, ainda, que a
Ractopamina, que integra o grupo dos Beta-agonistas, é, sem dúvida, uma forte
ferramenta de produtividade e de competitividade, que se aplica somente em
animais em confinamento. O Presidente questionou sobre a importância da área de
saúde animal para a MSD no Brasil e quantas empresas existem com o mesmo nível
de excelência. Em resposta, o convidado disse que, globalmente, a MSD Saúde
Animal representa trinta por cento do negócio no Brasil, sendo a segunda no
mundo, que a competitividade no mercado interno é muito grande e que existem
cerca de dez grandes e respeitadas empresas na área de saúde animal. O
Presidente agradeceu a presença do convidado na reunião e passou a palavra ao
Deputado Onyx Lorenzoni, que propôs que os convidados seguintes fossem os
representantes do MAPA, especialmente o Secretário de Defesa Agropecuária – SDA
e o Diretor do Departamento de Fiscalização de Insumos Pecuários - DFIP. O
Presidente colocou a proposta em votação que foi aprovada por unanimidade pelos
membros da Subcomissão. O Deputado Onyx Lorenzoni pediu a palavra e solicitou à
secretaria da Subcomissão que entrasse em contato com os depoentes da reunião
anterior, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de
Carne- ABIEC e o presidente do Conselho Administrativo do Sindicato Nacional da
Indústria de Produtos Para Saúde Animal - SINDAN, a fim de cobrar as respostas
do questionário repassado a eles pelos membros da Subcomissão. Nada mais havendo
a tratar, o Presidente agradeceu a presença de todos os convidados e encerrou os
trabalhos às dezessete horas e um minuto. O inteiro teor foi gravado, passando
as notas taquigráficas a integrarem o acervo documental desta reunião. E, para
constar, eu, Teresinha Passos Silva ______________________________, secretária,
lavrei a presente ATA, que, depois de lida e aprovada, será assinada pelo
Presidente, Deputado Moreira Mendes,_______________________________, e
encaminhada à publicação no Diário da Câmara dos Deputados.
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