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CÂMARA DOS DEPUTADOS |
COMISSÃO DE
AGRICULTURA, PECUÁRIA, ABASTECIMENTO E DESENVOLVIMENTO RURAL
54ª
Legislatura - 3ª Sessão Legislativa Ordinária
ATA DA QUARTA REUNIÃO ORDINÁRIA DE AUDIÊNCIA PÚBLICA
REALIZADA
EM 28 DE AGOSTO DE 2013.
Às quatorze horas e quarenta e
cinco minutos do dia vinte e oito de agosto de dois mil e treze, reuniu-se a
Subcomissão Permanente de Combate à Cartelização do Agronegócio no Brasil, na
Sala da Presidência da Comissão – Anexo II – Ala C – Sala T38 da Câmara dos
Deputados, com a presença dos Senhores Deputados Moreira Mendes - Presidente;
Dilceu Sperafico - Vice-Presidente; Alexandre Toledo, Leandro Vilela, Onyx
Lorenzoni e Oziel Oliveira – Titulares e Padre João - Suplente. Compareceram
também os Deputados Alfredo Kaefer e Paulo César Quartiero, como não-membros.
Deixaram de comparecer os Deputados Bernardo Santana de Vasconcellos e Bohn
Gass. Justificou ausência o Deputado Bernardo Santana de Vasconcellos. O
Deputado Onyx Lorenzoni antecipou-se à abertura dos trabalhos e pediu a palavra
para fazer duas importantes pontuações. Primeiramente, justificou a ausência do
Deputado Bernardo Santana de Vasconcellos, Relator da Subcomissão, por razões
familiares. Por esta razão, atendeu ao pedido do Relator para substituí-lo na
relatoria dos trabalhos na reunião. O segundo ponto colocado pelo Deputado Onyx
Lorenzoni, para avaliação e votação pelos membros, foi sobre a necessidade de
que as reuniões sejam realizadas reservadamente, com a presença apenas dos
assessores dos parlamentares e servidores da Câmara dos Deputados, além de que
os depoimentos sejam efetuados pelos convidados separadamente. Ponderou o
Deputado, que tal providência resguarda a autonomia das empresas convidadas, uma
vez que os dados e informações que serão repassados podem causar fortes impactos
em suas atuações no mercado. Feita esta ponderação, foi colocado em votação o
caráter reservado das reuniões da Subcomissão, bem como a individualização dos
depoimentos, que foram aprovados por unanimidade. Havendo número regimental, o
Presidente Moreira Mendes declarou abertos os trabalhos, cumprimentou a todos e
agradeceu a presença dos parlamentares e convidados e esclareceu que a reunião
se destinava a discussão do seguinte tema: “prestar esclarecimentos sobre
questões relevantes referentes à cadeia produtiva da carne no Brasil e no
mercado internacional”, com a presença dos seguintes convidados: Sr. Antônio
Jorge Camardelli, Presidente da Associação Brasileira das Indústrias
Exportadoras de Carne – ABIEC e o Sr. Ricardo Pinto, Presidente do Conselho
Administrativo do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos Para Saúde Animal
– SINDAN. Em seguida, o presidente abriu a reunião para Audiência Pública,
relacionou o nome de todos os assessores presentes na reunião e convocou o
primeiro convidado para compor a Mesa e iniciar o debate sobre o tema proposto.
Passou a palavra ao senhor Antônio Jorge Camardelli, que teria vinte minutos
para sua exposição, podendo ser prorrogáveis a critério do Presidente. O Sr.
Camardelli colocou que houve diminuição do volume de exportação de carne para
enlatados para os Estados Unidos em razão da omissão do setor de fiscalização do
Ministério da Agricultura e da falta de liderança do Sindicato Nacional da
Indústria de Produtos Para Saúde Animal – SINDAN, que lhe diz respeito
diretamente. Declarou que quarenta por cento dos vermífugos vendidos no Brasil
não tem fiscalização e nem controle e a Confederação da Agricultura e Pecuária
do Brasil – CNA, que representa todos os produtores, está inerte diante do
processo de desvalorização da produção nacional para o mercado externo,
especialmente para os Estados Unidos, favorecendo a atuação das empresas
multinacionais no setor de saúde animal, que vendem produtos pela internet sem
fiscalização e nenhum controle. A razão deste problema, prosseguiu o convidado,
é que o Ministério da Agricultura faz convênio com as secretarias de agricultura
de cada estado para que efetuem a fiscalização e o controle dos produtos para
saúde animal e que, por razões diversas, não são feitos adequadamente.
Enfatizou, também, a declaração dos dirigentes da SINDAN, que disseram que dos
vermífugos distribuídos no Brasil, trinta por cento não tem registro e não tem
habilitação; trinta por cento tem habilitação e não tem eficácia e quarenta por
cento tem habilitação e tem eficácia. Agradeceu a oportunidade que lhe foi dada
para externar sua opinião e se colocou à disposição para qualquer informação
adicional que for necessária e deixou uma cópia de um documento com mais
informações sobre o assunto para os membros da Subcomissão. Continuou a reunião,
substituindo o presidente, o Deputado Onyx Lorenzoni que solicitou ao expositor
respostas, por escrito, sobre vários questionamentos a respeito dos malefícios
da utilização de produtos ilegais, tais como antimicrobianos ou vermífugos e
anabolizantes, além do apoio governamental a novas fusões e aquisições de
empresas no Brasil. Solicitou, ainda, que o expositor encaminhe dados
estatísticos detalhados dessa utilização em seu estado, Rio Grande do Sul.
Pedido que fora endossado, também, pelos Deputados Moreira Mendes e Padre João
em seus respectivos estados. O Deputado Moreira Mendes, ocupou a presidência
novamente, agradeceu a presença do Sr. Ricardo Pinto, o segundo convidado que se
apresentou na reunião e lhe passou a palavra pelo tempo de vinte minutos
prorrogáveis a critério do Presidente. O convidado agradeceu o convite e
informou que o SINDAN, que congrega noventa indústrias dentre nacionais e
estrangeiras que trabalham com produtos para saúde animal, tem como missão
representar as empresas do setor junto aos governos federal, estadual e demais
entidades ligadas ao agronegócio e à sanidade animal, buscando defender os
interesses da classe e a sustentabilidade da atividade. Esta representatividade,
continuou, corresponde a algo em torno de oitenta por cento do Produto Interno
Bruto do setor na economia nacional. Finalizada a sua exposição, o
Presidente passou a palavra ao
Deputado Onyx Lorenzoni para suas considerações que, por sua vez, fez alguns
questionamentos sobre a matéria e esclareceu que estas perguntas serão
repassadas ao convidado para que sejam, posteriormente, respondidas, por
escrito, e dirigidas ao Deputado Relator da Subcomissão. Reforçou, ainda, que as
respostas deverão subsidiar a elaboração do relatório dos trabalhos da
Subcomissão. O Deputado perguntou, ainda, se o SINDAN tem conhecimento a
respeito do uso da Ivermectina e Ractopamina em rebanho bovino oriundo do
mercado ilegal (pirataria) e quais as medidas que o SINDAN tem tomado para
evitar essa situação. O Deputado Moreira Mendes complementou a pergunta
questionando a origem desses produtos comercializados ilegalmente no Brasil. O
Presidente passou a palavra ao Deputado Alexandre Toledo que perguntou qual a
razão dos genéricos, considerados pelo convidado em sua exposição como uma boa
providência para o setor, ainda não ter se consolidado no mercado após quatro
anos de aprovação da lei dos genéricos. O Sr. Ricardo Pinto respondeu que, em
relação aos genéricos, não existe nenhuma oposição por parte do SINDAN. O
produto tem que atender, apenas, à legislação vigente. O mercado é aberto,
continuou, e o SINDAN não interfere, de forma nenhuma, na fiscalização do
comércio ilegal desses produtos não registrados. Em seguida, o Deputado
Padre João externou seu interesse em saber se as empresas filiadas ao SINDAN são
apenas nacionais e solicitou ao convidado para que fosse disponibilizada a
relação dessas empresas aos membros da Subcomissão. Questionou, também, em qual
região do país há maior concentração de comércio de produtos piratas para
animais, qual a origem e a forma que eles entram no país. O Sr. Ricardo Pinto
respondeu que os produtos pirateados se concentram mais onde existe uma maior
concentração de bovinos de corte, com uma grande incidência na região do
centro-oeste e os produtos são oriundos, em grande parte, da região de São José
do Rio Preto. O Presidente da Subcomissão, Deputado Moreira Mendes, agradeceu a gentileza do comparecimento do
Sr. Ricardo Pinto na reunião, que agradeceu a oportunidade e se colocou
disponível para qualquer esclarecimento adicional. O Presidente propôs, então,
deliberar sobre os próximos convidados. O Deputado Alexandre Toledo questionou
sobre o posicionamento dos membros da Subcomissão quando são indagados pela
imprensa sobre o caráter reservado das reuniões da Subcomissão. Sugeriu uma
unificação de conduta sobre como se pronunciar diante da imprensa. O Presidente
justificou que o papel do parlamentar não é só legislar, mas também fiscalizar.
Completou, ainda, que a missão da Subcomissão é difícil e espinhosa e que devem
agir com cautela, uma vez que os depoimentos são com empresas de grande porte,
onde uma notícia mal elaborada pode inviabilizar a atuação dessas empresas no
mercado e que, posteriormente, haverá a divulgação do relatório conclusivo dos
trabalhos da Subcomissão. O Presidente colocou para deliberação sobre as
próximas entidades a serem convidadas para audiência pública na semana seguinte,
no dia quatro de setembro de dois mil e treze. O Deputado Onyx Lorenzoni pediu a
palavra e ponderou que já foram ouvidas uma associação de produtores e um
sindicato de empresas e sugeriu, enquanto aguarda as respostas dos questionários
repassados a eles, ouvir duas empresas produtoras dessas substâncias, que seriam
a Ourofino Agronegócio e o Grupo MSD Saúde Animal. O Presidente submeteu à
discussão e votação a proposta feita pelo Deputado Onyx Lorenzoni, que foi
aprovada por unanimidade. Nada mais havendo a tratar, o Presidente agradeceu a
presença de todos os convidados e encerrou os trabalhos às dezessete horas e
trinta e dois minutos. O inteiro teor foi gravado, passando as notas
taquigráficas a integrarem o acervo documental desta reunião. E, para constar,
eu, Teresinha Passos Silva _______________________________, secretária, lavrei a
presente ATA, que, depois de lida e aprovada, será assinada pelo Presidente,
Deputado Moreira Mendes,____________________________, e encaminhada à publicação
no Diário da Câmara dos Deputados. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx