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Às
onze horas e trinta minutos
do dia dezoito de abril de dois mil e treze, reuniu-se a Grupo de Trabalho para análise, estudo e formulação de proposições relacionadas à Lei Eleitoral, no Anexo II, Plenário 15 da Câmara dos Deputados com a presença dos senhores Deputados Cândido Vaccarezza - Coordenador; Anthony Garotinho, Carlos Sampaio, Júlio Delgado, Luis
Tibé, Marcelo Castro, Rosane Ferreira e Sergio Zveiter - Titulares.
Compareceu também o Deputado Ronaldo Caiado, como não-membro. Deixaram de
comparecer os Deputados André Figueiredo, Andre Moura, Arnaldo Faria de
Sá, Aureo, Chico Alencar, Chico das Verduras, Cleber Verde, Daniel
Almeida, Dr. Grilo, Esperidião Amin, Fernando Francischini, Roberto Freire
e Rubens Otoni. O senhor Coordenador iniciou os trabalhos, fez a
leitura do Ato de constituição e declarou instalado o Grupo de
Trabalho. Em seguida, o coordenador destacou a importância do tema a ser
debatido, falou da intenção de convidar o Ministro Dias Toffoli
do Tribunal Superior Eleitoral e solicitou a indicação de
sugestões de convidados a serem ouvidos pelo grupo. O
coordenador falou da intenção de criação de um projeto de lei, a partir
dos debates a serem realizados pelo grupo e
que o texto seja consensual ou pelo menos amplamento majoritário na Casa. A seguir foi apresentada uma proposta de plano de trabalho, indicando que o grupo deverá debater os seguintes itens: a) registro de candidatura,
necessidade de apresentaçao de
atestados de quitação junto à justiça eleitoral, prazo de preclusão
de ações relativas ao registro; b) campanha eleitoral: pré-campanha,
tamanho de placas; c) posse: direitos do empossado, prazo de preclusão dos
processos eleitorais; d) assunção de substituto de prefeito e governador
cassado. O Deputado Anthony Garotinho perguntou se a questão da prestação
de contas estava incluída na proposta e o coordenador destacou que
sim e apresentou o próximo item; e) prestação de contas: necessidade
de apresentação de declaração de doações financeiras, limites para doação
e suas implicações. O coordenador salientou que o grupo deverá
apresentar um resultado em três ou quatro semanas e,
posteriormente, em um prazo maior, deverá fazer a consolidação de
toda a legislação eleitoral, em substiutição às seguintes leis: lei
nº 9.504/1997, lei nº 12.034/2009, código nº 4.737/1965, lei
complementar nº 135/2010 e lei nº 9.096/2005. O coordenador passou a
palavra para os Deputados inscritos. O Deputado Anthony Garotinho
felicitou o coordenador pelo plano de trabalho e apresentou as seguintes
ideias: a) fixar que a interposição de recurso tempestivo suspenda ações
judiciais até o trânsito em julgado, evitando o afastamento temporário de
prefeitos eleitos; b) criar ação de impugnação de proclamação do
resultado; c) estabelecimento de limites das multas aplicadas pela justiça
eleitoral, ao máximo de dez por cento da renda bruta do cidadão; d)
constitui abuso de autoridade a custódia de carro de som por mais de vinte
e quatro horas. Por fim o Deputado disse que possui ainda outras propostas
e que elas serão encaminhadas em breve.
O Deputado Carlos Sampaio elogiou a metodologia proposta, disse que
encaminhará oportunamente matérias para o debate e sugeriu que sejam
ouvidos os senhores Fernando Neves e José Eduardo
Alckmin, ex-ministros do TSE com grande conhecimento sobre o tema. O
coordenador solicitou que todas as sugestões sejam encaminhadas para a
secretaria da Comissão. O Deputado Ronaldo Caiado destacou a necessidade
de revisão das regras eleitorais, e disse que na próxima reunião
encaminhará suas propostas. O Deputado Sérgio Zveiter disse que trará
sugestões que estão sendo elaboradas pelo partido, entre as quais
destacou: a) aplicação subsidiária do código de processo civil junto ao
código eleitoral; b) campanha eleitoral nas redes sociais; c)
discussão sobre a promoção de debates eleitorais no rádio e na televisão.
A Deputada Rosane Ferreira solicitou esclarecimentos sobre a duração do
grupo de trabalho, destacou que a Comissão não pode ser um
desdobramento da comissão de reforma política, sob pena de nascer com a
mácula do insucesso e solicitou que fosse esclarecido se os projetos
de lei que tramitam na Casa sobre o tema farão parte do escopo de trabalho
da Comissão. Salientou que existe projeto de lei de sua autoria que torna
obrigatória a realização de debates promovidos pela Justiça
Eleitoral. Em relação aos Tribunais de Contas,
falou da necessidade de discutir o tema com bastante cuidado. Por fim
parabenizou e desejou sucesso aos trabalhos da Comissão. O coordenador
disse que responderia aos questionamentos ao final da fala de todos.
O Deputado
Marcelo Castro destacou os seguintes itens: a) questão da preclusão:
citou o caso de um candidato que teve sua candidatura impugnada e
passou toda a campanha sem que o Tribunal julgasse o caso, o que
prejudicou a campanha e um mês depois o Tribunal decidiu
por 7 votos a zero que ele era elegível. Disse que já apresentou um
projeto, na reforma política, no sentido de que, se até vinte dias antes
do pleito, o caso não tiver sido julgado, o caso não valerá mais para
aquela eleição; b) prestação de contas: entende que as
despesas pessoais não devem fazer parte da prestação de contas. Despesas
com telefone pessoal, deslocamenteo com carro próprio, motorista pessoal,
despesas próprias de hotel, entre outras, não devem ser computadas
como despesas de campanha; c) pessoas que se candidatam e que,
comprovadamente, não fazem campanha, não devem ter necessidade de prestar
contas; d) doação de sala para comitê: a Justiça Eleitoral aceita a doação
mas não aceita que as contas de água, luz, etc. sejam pagas pelo doador, o
que deveria ser permitido; e) prazo de convenção partidária: as convenções
são de dez a tribta de junho, o prazo é longo e distante das campanhas.
Sugere que seja alterado para ocorrer entre os dias quinze a trinta de
julho, coincidindo quase totalmente com o recesso parlamentar do Congresso
Nacional; f) a questão das placas: proibição de placas fixas, com
permissão somente de placas móveis. O coordenador disse que iria
enviar um ofício em nome do grupo, solicitando que os partidos enviem
sugestões para a pauta de trabalho e disse que iria responder
aos questionamentos feitos anteriormente. Respondendo à deputada Rosane
Ferreira, disse que não iria trazer para a Comissão interesses específicos
do governo e nem da oposição e que iria trabalhar com as leis existentes e
não com projetos de lei em andamento. Esclareceu que já solicitou aos
consultores da Comissão que façam um levantamento do que pode ser revogado
nas leis em vigor. O Deputado Anthony Garotinho interveio dizendo que a
parte mais cara das campanhas são os advogados e que as leis devem ser
mais simples e claras. O Deputado Sérgio Zveiter disse que a OAB
possui uma Comissão que está fazendo um trabalho nesse sentido, que
poderia ser solicitado pelo grupo. O coordenador adiantou a ideia da
criação de um comitê eleitoral com um representante de cada partido que
disputou a respectiva eleição. Caso o comitê aceite o resultado de forma
consensual, acaba a discussão na Justiça Eleitoral sobre aquele pleito
e o resultado é proclamado. O Deputado Anthony Garotinho
questionou se existe Justiça Eleitoral em outro país. O coordenador
lembrou que a Justiça Eleitoral só existe no Brasil. A deputada
Rosane Ferreira demonstrou receio de que a ideia da criação
de um comitê seja deturpada pela sociedade. O coordenador destacou o
excesso de burocracia na prestação de contas das campanhas
eleitorais, disse que pretende revogar itens das leis citadas
anteriormente, criando um texto que poderia ser chamado
de normas para as eleições. Esclareceu a pretensão de que o
grupo posteriormente possa apresentar um código eleitoral consolidando
todas as normas existentes. O Deputado Anthony Garotinho sugeriu o
nome de disposições transitórias para as eleições 2013. O Deputado Sérgio
Zveiter esclareceu que existem vinte e oito mil resoluções do TSE em
vigor. O Deputado Anthony Garotinho sugeriu a inclusão da lei 64/1990 no
debate, por se tratar da lei da inelegibilidade. O Deputado Sérgio Zveiter
considerou muito importante o fato de os partidos poderem indicar os
temas a serem discutidos. O coordenador afirmou que vai procurar o senador
Renan Calheiros para informá-lo da existência do grupo e esclareceu que
pretende ter um projeto de lei pronto em três a quatro semanas para que o
projeto seja votado na Câmara e no Senado até o final de agosto, para
que possa valer para a próxima eleição. Disse que não quer trazer para o
debate interesses ideológicos partidários e quer uma lei orientada pela
transparência e ética. O Deputado Anthony Garotinho disse que essa
nova norma vai diminuir os três maiores custos das campanhas atuais que
são: marketing/televisão, advogados e placas. O coordenador convocou
todos líderes para que haja celeridade no momento de votação da matéria.
Nada
mais
havendo a tratar, o Presidente encerrou a reunião às doze horas e vinte
e dois minutos, antes convidando os membros da Comissão para a próxima
reunião a realizar-se no próximo dia vinte e cinco de abril às 10h da
manhã. E, para constar, eu _______________, Robson Luiz Fialho Coutinho,
lavrei a presente Ata, que por ter sido lida e aprovada, será assinada
pelo Coordenador, Deputado Cândido Vaccarezza __________________, e publicada no Diário da Câmara dos Deputados. O inteiro teor da reunião foi gravado, passando o arquivo de áudio correspondente a integrar o acervo documental da reunião. xxxxxxxxxxxxxxxxx.
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