Relatório da Abin não vê cerco americano ao Brasil

20/03/2007 - 22:51  

O diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Márcio Paulo Buzanelli, afirmou que as bases norte-americanas na região amazônica foram montadas para combater ações de narcotraficantes e perderam apoio do governo dos Estados Unidos depois dos atentados de 11 de setembro de 2001. O governo norte-americano passou a priorizar então o combate ao terrorismo. "Não vemos nenhuma tentativa de cerco estratégico ao Brasil", disse. Segundo ele, o relatório produzido pela agência relativo à presença de bases americanas na região amazônica não é "conclusivo" e foi elaborado por diversas áreas do governo. O documento é sigiloso, mas seu conteúdo foi divulgado pela imprensa no início do ano.

Os autores do relatório elaborado pelo Grupo de Trabalho da Amazônia (Gtam) sobre a atuação de instituições religiosas e organizações não-governamentais (ONGs) estrangeiras suspeitam que as entidades atuem como fachadas de governos de países como Estados Unidos, Reino Unido, Holanda e Alemanha. No caso dos Estados Unidos, o documento explica que as entidades norte-americanas atuam de forma estratégica para assegurar presença militar direta na região andino-amazônica e no Cone Sul, em torno do Brasil.

Produção de cocaina
Em relação à política de combate ao narcotráfico, Buzanelli afirmou ainda que a produção ilegal de coca destinada à fabricação de cocaína tem aumentado na Bolívia desde a eleição do presidente Evo Morales, em dezembro de 2006. O crescimento, segundo ele, foi provocado, entre outras coisas, pela redução dos procedimentos conjuntos de combate ao narcotráfico entre Estados Unidos e Bolívia. De acordo com Buzanelli, isso afeta o Brasil, uma vez que a produção é comercializada em sua maior parte no País. A cocaína, segundo ele, seria de má qualidade e não tem mercado nos Estados Unidos ou na Europa.

O diretor apontou ainda problemas na área da Cabeça do Cachorro, no Amazonas, onde as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) estariam trocando drogas por armas, que abastecem a guerrilha colombiana.

Reportagem - Rodrigo Bittar
Edição - Paulo Cesar Santos

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