Depoente acusa deputados de exploração ilegal de madeira

05/10/2005 - 19:26  

Em reunião reservada da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Biopirataria, a empresária Meire Pessoa Cabral apontou diversos políticos entre os exploradores ilegais de madeira no Pará, "incluindo deputados da própria CPI". Meire é dona de uma empresa transportadora de madeira e de máquinas pesadas na região.
O deputado Dr. Francisco Gonçalves (PTB-MG), que presidiu os trabalhos, disse, após o encerramento da reunião, que as denúncias foram "extremamente graves". Segundo o parlamentar, a depoente citou o nome de acusados de irregularidades, inclusive fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Gonçalves não quis revelar nenhum dos nomes e afirmou que encaminhará o depoimento ao presidente da comissão, deputado Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP), para que sejam tomadas providências.

Tensão na CPI
Antes de Meire Cabral, depôs em reunião aberta o madeireiro Elias Salame da Silva. O empresário negou à CPI ter responsabilidade no sumiço da madeira apreendida pelo Ibama em suas terras, em 2003. A postura de Silva acabou irritando a deputada Thelma de Oliveira (PSDB-MT), que chegou a pedir que a segurança da Câmara se aproximasse da mesa dos trabalhos.
Thelma questionava o depoente em nome do relator da CPI, deputado Sarney Filho (PV-MA), que não pôde comparecer à reunião. Quando perguntado sobre detalhes referentes ao sumiço da madeira, Silva acusou a deputada de fazer perguntas "capciosas". O madeireiro ainda tratou a parlamentar várias vezes como "madame".
Na operação do Ibama realizada na área de atuação do madeireiro, foram apreendidos 24 mil metros cúbicos de madeira extraída ilegalmente. No entanto, 14,5 mil metros cúbicos das árvores desapareceram logo depois. "Não tenho poder de polícia. A responsabilidade não é minha", resumiu Silva, ao observar que o Ibama não designou depositário fiel para a madeira, ou seja, alguém que se responsabilizasse pelo material apreendido.

Extensão desconhecida
Elias Salame deixou sem resposta a pergunta sobre o tamanho de sua propriedade no Pará. "Meu sócio adquiriu essas terras há 50 anos, aos poucos. Eu não tenho como dizer quantos hectares são", disse apenas.
O empresário também negou denúncias de que guarde armamento pesado em sua fazenda. Ele desmentiu a informação de que um ex-funcionário seu, o norte-americano William Paul Daves, tivesse sete armas de fogo, inclusive um fuzil M-14. "Ele tinha só um rifle 22, herdado do avô americano", declarou Silva.

Paixões ambientalistas
Presidente da Associação das Indústrias Exportadoras de Madeira do Pará por quatro mandatos - agora afastado da direção da entidade - , Elias Salame acusou o governo de, "no calor das paixões ambientalistas", baixar normas exageradas, como as multas de valor superior ao dos bens apreendidos.
O empresário defendeu a adoção de um programa de financiamento que garanta o manejo sustentável da floresta. Com isso, ele acredita que os empresários da Amazônia conseguirão manter níveis de reflorestamento similares aos alcançados pelos plantadores de celulose em outras regiões - ou seja, 60 mil hectares por ano. Segundo o madeireiro, só a sua empresa, antes das normas baixadas pelo governo, plantava uma média de 20 mil árvores por ano.

Reportagem - Sandra Crespo
Edição - Regina Céli Assumpção

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