Césio 137: ainda há vítimas sem assistência, diz entidade
15/09/2005 - 18:16
O problema das vítimas do acidente com o césio 137 que não são reconhecidas pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) está em um dossiê do Ministério Público de Goiás apresentado há pouco na Câmara. O documento foi entregue pelo presidente da Associação das Vítimas do Césio 137, Odesson Alves Ferreira, às comissões que realizam debate sobre os problemas de saúde decorrentes de contaminação por substâncias tóxicas.
No painel que discutiu o acidente ocorrido em Goiânia em 1987, o representante do Ministério da Saúde, Tarcísio Neves da Cunha, disse que o ministério participa de grupo de trabalho formado em 2001, junto com o Ministério Público e o governo de Goiás. Outro trabalho do ministério, de acordo com Cunha, refere-se ao fortalecimento da Secretaria de Saúde de Goiás. O órgão, segundo ele, é o maior responsável pela assistência às vítimas até hoje.
Centro de referência
Cunha afirmou que o ministério atua também para manter pesquisa científica por meio da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) para aprofundar o conhecimento sobre as seqüelas daquele acidente. Outra linha de trabalho é fomentar a criação de um centro de referência, que reunirá todos os dados e informações existentes a fim de prevenir outros acidentes.
O procurador regional dos Direitos do Cidadão de Goiás, Goedhe Odilon Freitas de Abreu, disse que a legislação que atualmente rege a área de fiscalização sobre as entidades que aplicam radioisótopos (elementos que contêm radioatividade) é anterior à Constituição. Por esse motivo, alertou, há necessidade de atualizar essas leis.
O deputado Luciano Zica (PT-SP) demonstrou disposição de procurar o governo. "Nós vamos tentar envolver os ministérios ligados diretamente à solução do problema - Justiça, Previdência e Saúde - para viabilizar uma audiência com o presidente Lula, a fim de buscar um meio mais rápido de resolver o problema (de apoio às vítimas)", disse Zica.
Benzeno
Já começou o último debate da audiência pública, para discutir a leucopenia, doença provocada pela contaminação por benzeno e que se caracteriza pela diminuição dos glóbulos brancos do sangue. O benzeno é produzido por empresas petroquímicas e utilizado em empresas de siderurgia, indústrias químicas ou laboratórios. Está presente na cola utilizada na indústria de sapato e outros produtos de couro, tintas e vernizes.
O evento é promovido pelas comissões de Direitos Humanos e Minorias; e de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Os debates estão sendo realizados no plenário 9. Reportagem - Lucélia Cristina
Edição - Sandra Crespo
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