Saúde

Governo espera oferecer pelo menos três vacinas contra a Covid-19 para a população

Ainda neste ano, serão compradas 46 milhões de doses da vacina CoronaVac, desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan

20/10/2020 - 20:37   •   Atualizado em 20/10/2020 - 22:49

Comissão debate plano do governo para vacinação contra Covid-19 - 21/10/20

Comissão debate plano do governo para vacinação contra Covid-19 - 21/10/20

O governo espera oferecer pelo menos três vacinas contra a Covid-19 à população brasileira. Representantes do Ministério da Saúde e do Instituto Butantan afirmaram nesta terça-feira (20), em reunião da comissão mista que acompanha as ações de combate à doença, que ainda neste ano serão compradas 46 milhões de doses da vacina chinesa da Sinovac.

Essas doses devem se somar ao acerto com a aliança Covax, que prevê duas doses para 10% da população brasileira; e à parceria entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Universidade de Oxford com o laboratório AstraZeneca.

O vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Marco Krieger, disse que a vacina da parceria com Oxford deverá estar pronta para distribuição em fevereiro, com produção nacional de 100 milhões de doses até o final de junho. O objetivo é obter 200 milhões de doses, ao custo de 3,16 dólares a dose, até o final de 2021.

O vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Guilherme Werneck, disse que, por causa da necessidade de registros emergenciais, é importante trabalhar com o maior número de vacinas possível, pois cada uma pode ter efeitos diferentes, inclusive por faixa etária.

“Uma vacina pode ser melhor para indivíduos mais jovens, outras podem ser melhores para indivíduos mais idosos. Portanto, investir em uma ou duas vacinas pode limitar, digamos assim, o alcance do nosso programa de prevenção”, disse Werneck.

Redução da eficácia
Os especialistas presentes na comissão também manifestaram preocupação no sentido de que a população seja informada sobre a redução dos testes de eficácia da vacina em razão da aceleração do processo de produção.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sinalizou para a possibilidade de uma redução da eficácia necessária para aprovação de 70% para 50%.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Imunologia, Ricardo Gazzinelli, não será possível ter avaliações sobre a duração da resposta imune. “Uma vacina que pode ter 80% ou 60% de proteção com quatro meses, pode ser que, com oito meses, tenha uma eficácia de 30%. Isso nos deixa muito preocupados com a aprovação muito precoce da vacina, especialmente se a eficácia for baixa, entre 50% e 70%, porque a população brasileira pode ter uma ideia errada de que nós temos uma vacina real contra a Covid-19”, afirmou.

Reprodução TV Senado
Presidente da Sociedade Brasileira de Imunologia, Ricardo Gazzinelli
Ricardo Gazzinelli: não será possível ter avaliações sobre a duração do efeito das vacinas

Para Gazzinelli, a necessidade de mais estudos pós-vacinação indica que a sociedade não vai poder abandonar o distanciamento social e o uso de máscaras.

O representante da Anvisa na reunião, Juvenal Brasil Neto, disse que a eficácia de 70% é a usual, mas que não existe uma regra fixa. Ele explicou que a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o órgão regulador americano também estão trabalhando com 50%.

Juvenal disse que a agência tem até agora quatro vacinas em análise: a de Oxford e a da Sinovac, que preveem transferência de tecnologia; e as dos laboratórios Pfizer e Janssen, que não têm essa transferência. Ele lembrou que a vacina da Janssen (braço farmacêutico da Johnson & Johnson) está interrompida por efeitos adversos.

Krieger, da Fiocruz, disse que os testes feitos até agora com a vacina de Oxford mostraram respostas tanto celulares quando de produção de anticorpos com apenas uma dose. Ele disse que a ideia é ter um registro emergencial da Anvisa em novembro para que a produção industrial no Brasil seja feita a partir de janeiro.

Obrigatoriedade
O deputado Felício Laterça (PSL-RJ) abordou a discussão sobre a obrigatoriedade ou não da vacinação. “Há quem entenda que todos deveriam ser vacinados, independentemente de sua própria vontade, dado que isso protegeria toda a sociedade. Por outro lado, há quem entenda que o indivíduo deve ser livre para arcar com os riscos de não ser vacinado. Não podendo ter sua liberdade de ir e vir cerceada, como a própria liberdade de o que fazer com o seu próprio corpo”, afirmou.

A coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Adriana Lucena, disse que a ideia é fazer campanhas sobre a importância da vacinação para a saúde coletiva. Ela explicou que os grupos criados para planejar a campanha de vacinação da Covid-19 deverão ter respostas sobre grupos prioritários e logística até o final deste mês. Adriana disse ainda que cada pessoa vacinada será identificada para evitar até que tome mais de uma dose de vacinas diferentes.

A comissão mista que acompanha as ações de combate à Covid-19 fará mais quatro audiências até dezembro, sendo que a próxima será com o ministro da Economia, Paulo Guedes, no dia 26. O relatório do deputado Francisco Jr. (PSD-GO) deverá ser apresentado no dia 16 de dezembro para ser votado no dia 18.

 

Reportagem – Sílvia Mugnatto
Edição – Pierre Triboli

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