Saúde

Hospitais universitários vinculados a rede gestora disponibilizam 1,7 mil leitos para Covid-19

Presidente da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares relata dificuldades na aquisição de equipamentos de proteção individual e de respiradores

20/05/2020 - 19:33  

 

 

Os 40 hospitais universitários incorporados pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) disponibilizaram 1.722 leitos para o tratamento da Covid-19, sendo 1.114 de enfermaria e 608 de UTI. Também já foram feitas compras de 21,8 milhões de itens de enfrentamento da doença, no valor de R$ 133,36 milhões, e abertas 6.381 vagas temporárias para médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e profissionais de infraestrutura, como arquitetos e engenheiros.

Os dados foram informados nesta quarta-feira (20), em teleconferência, aos parlamentares da comissão externa da Câmara dos Deputados que acompanha ações de combate ao novo coronavírus. Da reunião participaram o presidente e o vice-presidente da Ebserh, o general Oswaldo de Jesus Ferreira, e o coronel Eduardo Chaves Vieira, respectivamente.

A empresa, vinculada ao Ministério da Educação, é responsável pela gestão de hospitais universitários em 23 estados brasileiros. Em 2019, as unidades incorporadas realizaram 350 mil internações, 168 mil cirurgias hospitalares e 23,5 milhões de consultas e exames.

Dificuldades
Oswaldo de Jesus Ferreira destacou a importância do trabalho em rede junto a esses hospitais, uma vez que uma solução para o Sul do País pode vir de uma experiência do Norte. Por outro lado, ele disse que as dificuldades dos universitários são as mesmas de todas as unidades de atenção à saúde.

“Temos dificuldades de aquisição. O que ocorre conosco é o que ocorre em todo lado. Dificuldade de aquisição de equipamentos de proteção individual e de respiradores. Isso é questão da entrega, que depende do prazo estabelecido pela empresa”, lamentou.

Linha de frente
Também participaram da teleconferência superintendentes de cinco hospitais universitários do Amazonas, do Pará, do Ceará e do Rio de Janeiro. Ao coordenador da comissão externa, deputado Dr. Luiz Antonio Teixeira Jr. (PP-RJ), eles explicaram como estão preparados para receber pacientes com Covid-19, com dados sobre profissionais e ocupação de leitos, e disseram que acabaram entrando para a linha de frente no enfrentamento, ainda que a ideia inicial fosse que funcionassem como retaguarda.

Os superintendentes de hospitais do Amazonas, do Pará e do Ceará disseram que participaram de reuniões com as secretarias estaduais de saúde. “Nós fazemos parte da comissão estadual do combate à Covid-19. Temos uma boa articulação com o secretário de saúde de estado”, informou Regina Feio, do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Pará. Ainda segundo ela, a unidade se transformou em referência no combate à doença, tendo sido responsável pelo treinamento de profissionais de saúde de todo o Pará.

Os representantes de hospitais do Rio, por sua vez, disseram que participaram de uma reunião, não tendo sido chamados para outras.

Os superintendentes elogiaram o trabalho da Ebserh e seu funcionamento em rede. “Temos um braço executivo de acompanhamento, de controle, de traçar políticas. Isso é fundamental, porque nós éramos isolados, e as coisas ficavam um pouco soltas, o que acontece com os hospitais federais do Ministério da Saúde”, disse Tarcísio Rivello, do Hospital Universitário Antônio Pedro, da Universidade Federal Fluminense.

Rivello também defendeu o fortalecimento da indústria médica nacional, para que o Brasil não dependa do que vem de fora. “Temos capacidade técnica de produzir elementos que estão sendo comprados daqui e dali em um jogo de leilão, fazendo com que uma máscara saia de R$ 0,50 para R$ 4,50”, criticou.

Ensinamentos
Segundo o superintendente do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Ceará, Carlos Augusto Alencar, a pandemia trouxe muitos ensinamentos para os profissionais dos hospitais universitários no que diz respeito à necessidade de adaptação rápida, de olhar de um jeito diferente para os colaboradores e de mudar completamente a estrutura de funcionamento de hospitais.

“É muito ruído, é muita dificuldade, é muito pavor, mas é preciso muita calma, muita paciência. Apesar de tudo, continuamos fazendo assistência de absoluta qualidade. Estamos mantendo a pesquisa. Nós mantemos a nossa capacidade de formação. Os nossos internos, os nossos residentes, não foram liberados. Eles estão na frente de batalha, eles precisam aprender, eles precisam se formar. Eu preciso que eles sejam mantidos nos nossos hospitais”, declarou Alencar.

Relatora da comissão, a deputada Carmen Zanotto (Cidadania-SC) ressaltou a tradição e a importância dos hospitais universitários, que, além de tratar a saúde, voltam-se para o ensino e a pesquisa. “Há uma unidade de pensamento entre os superintendentes dos hospitais universitários e essa instituição [Ebserh]. Parabéns a todos”, disse.

Reportagem – Noéli Nobre
Edição – Roberto Seabra

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