Política e Administração Pública

Oposição pede divulgação de vídeo de reunião citada por Moro

Governo defende sigilo ou divulgação apenas de trecho objeto de inquérito

14/05/2020 - 19:42  

Deputados da oposição pediram nesta semana que o vídeo da reunião ministerial de 22 de abril seja divulgado. Segundo a defesa do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro, a suposta interferência do presidente Jair Bolsonaro na autonomia da Polícia Federal (PF) seria demonstrada nos diálogos do encontro.

Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Ministro da Justiça Sérgio Moro CCJ CTASP CDHM
Sérgio Moro afirmou que Jair Bolsonaro tentou interferir na autonomia da PF e que reunião seria prova

O deputado Wolney Queiroz (PDT-PE), líder do partido, afirmou que o vídeo deve ser divulgado, apesar de se dizer favorável ao princípio da confidencialidade para reuniões presidenciais como regra. “O ministro da Justiça acusou o presidente de tentar interferir politicamente na Polícia Federal, o que é um crime. Nesse caso específico, eu defendo que o vídeo seja publicado, periciado”, disse.

Segundo Queiroz, a gravação dessas reuniões é algo normal e serve até como segurança para o presidente se defender de uma eventual acusação.

Já o deputado Filipe Barros (PSL-PR) questionou a possibilidade de divulgar o vídeo, pois a reunião foi “extremamente sensível” por tratar de assuntos de segurança nacional. “A minha opinião é a mesma do presidente Bolsonaro. Se for divulgar, que seja o que de fato interessa ao STF, que está sendo objeto da investigação.” Barros também criticou o fato de a divulgação de uma reunião ministerial estar sendo objeto de inquérito judicial e comentou que "seria interessante também o Supremo divulgar as reuniões entre os ministros da Corte".

Entenda o caso
A reunião ministerial de 22 de abril é apontada pela defesa de Moro como prova de que Bolsonaro teria pressionado pela troca do comando da PF no Rio de Janeiro. O ex-juiz citou o encontro em depoimento prestado à PF no inquérito sobre acusações que ele fez ao sair do governo. Jair Bolsonaro disse que não houve menção nenhuma à PF na reunião e que estava preocupado com a segurança de seus familiares.

O ministro Celso de Mello, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, deu 48 horas para o procurador-geral da República, Augusto Aras, manifestar-se sobre o sigilo do vídeo. A defesa de Moro e o advogado-geral da União, José Levi, também devem se manifestar. O prazo termina na noite desta quinta-feira (14).

Reportagem - Tiago Miranda
Edição - Ana Chalub

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