Política e Administração Pública

Para Maia, após o período de crise, governo precisa repactuar relação com o Congresso

01/04/2020 - 11:29  

Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Presidente da Câmara dos Deputados, dep. Rodrigo Maia, concede entrevista coletiva sobre a crise causada pelo coronavírus.
Maia: a relação do Parlamento com o governo só não caminhou para um afastamento definitivo por causa da crise

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que o Parlamento apóia as medidas de enfrentamento da crise da pandemia de Covid-19 e que todos os partidos querem ajudar na soluções, mas ressaltou que o governo não tem mais apoio no Congresso e que, após a crise, precisará repactuar a relação com o Legislativo. Ele participou de teleconferência Bradesco BBI nesta quarta-feira (1).

Segundo Maia, nas ações de curto prazo não haveria dificuldades de o governo aprovar projetos que tenham como foco o combate à crise do coronavírus, principalmente porque as propostas serão aperfeiçoadas pelos deputados e senadores. Maia ressaltou, no entanto, que em relação às medidas para o futuro, o governo terá dificuldade para formar maioria.

O presidente disse ainda que o momento de crise é uma oportunidade para reconstruir a relação do Executivo com os demais poderes.

“A relação do Parlamento com o governo só não caminhou para um afastamento definitivo por causa da crise (do coronavírus). A crise é uma oportunidade para se reconstruir a relação com o governo e sair dessa agenda de movimentos que querem fechar o Parlamento, o Supremo, que a gente vê nas redes sociais que apoiam o governo. É preciso um freio de arrumação por parte de todos”, disse Rodrigo Maia.

“A crise pode ser uma oportunidade para que a gente consiga reduzir os danos na relação e superar esse momento mais conturbado, e ter uma relação de confiança. O Parlamento comandou as agendas mais importantes no ano passado e o que recebemos foram ataques agressivos no entorno do presidente (Jair Bolsonaro) nas redes sociais”, lamentou.

Decisões rápidas
Maia afirmou que o parlamento aprova as matérias que lhe cabem, mas algumas decisões dependem do governo. Ele disse ainda que essas decisões precisam chegar mais rápido aos que necessitam, sejam eles trabalhadores ou empresários.

“Estou vendo anúncios do BNDES, por exemplo, que não estão chegando a lugar nenhum. Precisamos, de fato, pensar como ajudar o governo para que as coisas caminhem mais rápido”, afirmou o presidente.

Previsibilidade
Rodrigo Maia cobrou mais uma vez que o governo garanta previsibilidade pelos próximos 60 dias à sociedade, e criticou a falta de soluções por parte do governo para a questão da renda, do emprego e da liquidez das empresas.

“O governo não resolveu. Tem setores que desde o início estão com problemas, como as academias, as aéreas, o setor de shopping center. O governo deveria ter pensado nas restrições, mas também nas soluções (para esses setores)”, cobrou Maia.

“O governo tem que entender que, com orçamento de guerra, vai ter mais flexibilidade para tomar uma atitude heterodoxa. Ele precisa colocar dinheiro nas empresas, porque se demorar muito não vamos garantir o resgate necessário delas”, disse o presidente da Câmara.

Reportagem – Luiz Gustavo Xavier
Edição - Natalia Doederlein

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