Meio ambiente e energia

Cientistas propõem ações para evitar novos desastres ambientais

Dados divulgados pelo Ibama mostram que as manchas de óleo já atingiram 11 estados, 127 municípios e 907 localidades

11/12/2019 - 14:36  

Vinícius Loures/Câmara dos Deputados
Os debatedores sugeriram várias medidas de prevenção para impedir novos desastres ambientais

Na segunda audiência pública da semana da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o derramamento de óleo nas praias do Nordeste, ocorrida nesta quarta-feira (11), três cientistas de procedências diferentes relataram os efeitos do desastre ambiental e propuseram medidas para evitar novos acidentes.

Yara Schaeffer-Novelli, do Instituto de Oceanografia da Universidade de São Paulo (USP), criticou a demora do governo em agir para conter as manchas de óleo no litoral nordestino. A especialista questionou porque o Plano Nacional de Contingência, criado em 2013, não foi acionado a tempo.

“A autoridade nacional operacional do Plano Nacional de Contingência teria sido, pela própria estrutura da lei, o Ministério do Meio Ambiente. Ele jogou a criança nos colos da Marinha”, disse.

Francisco Kelmo, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), apresentou dados de um estudo feito em uma amostra de recifes de corais próximo à Praia do Forte. Entre abril e outubro deste ano, o número de espécies caiu quase 47% e o número de animais diminuiu em quase 66%. O índice de branqueamento, que revela a contaminação dos corais e que tem média de 5 a 6% habitualmente, subiu para quase 52%.

Rede de satélites
O representante do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Ronald de Souza, detalhou a ação de correntes marinhas, dos ventos na costa brasileira e do regime de ondas. Ele enfatizou a importância de ações preventivas para evitar que desastres semelhantes aconteçam no futuro, pois reconheceu que, atualmente, não existe um sistema eficiente.

“A nossa proposta é instalar antenas de satélite que recebem dados de (outros) satélites que estão voando já, de outros países ou nossos mesmos, desde a ilha dos Açores, com a colaboração do governo de Portugal, até o sul do Brasil. Nós temos um sistema que já está didaticamente entendido de como tratar essas imagens e, principalmente, saber se aquele alvo colocado como óleo é realmente óleo, se é um falso óleo ou um alvo verdadeiro”, observou.

Ações preventivas também são a aposta do presidente da CPI, o deputado Herculano Passos (MDB-SP).

“A gente tem que ter um monitoramento, investir na prevenção, para que não aconteçam mais esses desastres ambientais que prejudicam o meio ambiente, a flora e a fauna marítimas, prejudicam os manguezais, aonde são os criadouros de todos os animais, prejudicam o turismo, porque muitas pessoas não vão, não foram, diminuiu o movimento do turismo que estava previsto, principalmente agora que é a temporada de verão”.

Os últimos dados divulgados pelo Ibama sobre o desastre ambiental mostram que as manchas já atingiram 11 estados, 127 municípios e 907 localidades, sendo que 155 animais foram encontrados com óleo no corpo.

Agenda
Os integrantes da CPI se reúnem nesta quinta-feira (12) à tarde com a Polícia Federal no Rio Grande do Norte, onde estão concentradas as investigações sobre a origem do derramamento de óleo. Na sexta-feira, está marcada uma audiência pública na Assembleia Legislativa do estado.

Reportagem - Cláudio Ferreira
Edição - Roberto Seabra

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