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Debatedores apontam relação das fake news com disputa política

22/10/2019 - 18:56  

Especialistas ouvidos nesta terça-feira (22) pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News foram unânimes em apontar que a disseminação das notícias falsas está ligada à disputa política.

Doutor em Filosofia e professor da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Wilson Gomes avalia que as fake news se tornaram um fenômeno mundial a partir de 2016, em um ambiente de “hiperpolarização política” e com o avanço da direita conservadora e digital.

Pedro França/Agência Senado
CPMI das Fake News promoveu audiência pública interativa para tratar sobre os impactos desse fenômeno na democracia

O coordenador-geral do curso de extensão em Direito Eletrônico da Escola de Magistratura do Rio de Janeiro, Walter Capanema, define fake news como a desinformação com a intenção de prejudicar alguém, mecanismo facilitado pela concentração do debate político e da troca de informações na internet.

O comandante de Defesa Cibernética do Exército, general Guido Amin Naves, reconhece que quando as fake news contagiam uma eleição, o equilíbrio de poder fica prejudicado. Ele sugere o enfrentamento do problema desde cedo, nas escolas, com educação para uso das tecnologias.

Checagem
Editor do Estadão Verifica e presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Daniel Bramatti prefere evitar o uso do termo fake news. Ele apontou, por exemplo, o uso do termo por políticos "de linha autoritária, que chamam de fake news todo o noticiário que o desagrada".

Para Bramatti, porém, o problema das fake news não será resolvido com leis ou na Justiça, mas com iniciativas como os serviços de checagem criados por vários órgãos da imprensa, que ajudam o leitor a identificar uma notícia falsa. "Criminalizar as fake news é um absurdo. Há muitos ditadores usando esse recurso para prender jornalistas", alertou.

Democracia
A relatora da comissão, deputada Lídice da Mata (PSB-BA), disse que as fake news têm um caráter de malignidade e representam uma ameaça para a democracia. Já a senadora Soraya Thronicke (PSL-MS) declarou que a CPMI não tem objetivo de prejudicar o governo, afirmando que as notícias falsas vêm de todos lados e não só da direita.

O presidente da CPMI, senador Angelo Coronel (PSD-BA), negou que a comissão tenha o objetivo de "perseguir" o presidente da República, Jair Bolsonaro, ou de limitar a liberdade de expressão. "Vamos trabalhar com total isenção e contribuir com a sociedade para evitar que as pessoas usem perfis falsos e depreciem seus desafetos", assegurou.

Ele convocou uma nova reunião da comissão para esta quarta-feira (23), às 12h, quando serão apreciados mais de 100 requerimentos.

Da Redação - GM
Com informações da Agência Senado

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