Educação, cultura e esportes

Deputados criticam fala de Bolsonaro sobre manifestantes

15/05/2019 - 20:30  

Durante a comissão geral realizada para ouvir o ministro da Educação, Abraham Weintraub, deputados criticaram declaração feita pelo presidente Jair Bolsonaro nesta quarta-feira (15).

Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Greve geral pela educação
Estudantes protestam em frente ao Congresso contra bloqueio de recursos na educação

Ao chegar aos Estados Unidos, Bolsonaro foi questionado pela imprensa sobre as manifestações que ocorreram hoje em todo Brasil e classificou os estudantes como “idiotas úteis”, “militantes” e “massa de manobra”.

Pelo Solidariedade, o líder Augusto Coutinho (PE) lamentou o momento vivido no início do governo. “Surpreendi-me com a quantidade de gente que estava nas ruas por causa de um governo que leva para o lado ideológico tudo o que ocorre”. Ele criticou ainda a definição de “balbúrdia” usada pelo ministro para as manifestações nas universidades.

Para Coutinho, “o pior é que o presidente vai dizer que são alguns idiotas que estão nas ruas, mas não são idiotas”. O parlamentar se disse incomodado também, relatando que foi procurado por diversos diretores de instituições federais sobre o impacto do contingenciamento ao longo do ano.

O deputado Idilvan Alencar (PDT-CE) pediu ao ministro da Educação que ajude Bolsonaro a rever conceitos. “O senhor tem que falar para o presidente da República que as pessoas que estão protestando não são idiotas e que ele tem de tirar o professor da reforma da Previdência porque essa classe nunca foi privilegiada”.

A deputada Fernanda Melchionna (Psol-RJ) também criticou Bolsonaro. “O presidente da República ainda vai afirmar que são alguns idiotas que estão na rua. Não são idiotas, são pessoas que certamente estão irrequietas, como eu estou”, declarou. Segundo ela, “os verdadeiros idiotas inúteis estão no governo”.

Empurra-empurra
Passadas mais de cinco horas de debates, a sessão chegou a ser suspensa após o início de um tumulto entre parlamentares do Psol e do PSL.

A confusão começou depois da fala da deputada Talíria Petrone (Psol-RJ), que afirmou que o Ministério da Educação está cheio de “idiotas inúteis”. Ela foi confrontada pelo líder do PSL, delegado Waldir (GO), e assim iniciou-se um empurra-empurra entre integrantes dos dois partidos.

Ministro
Questionado sobre as declarações do presidente, Abraham Weintraub respondeu que é subordinado a Bolsonaro e não cabe a ele discordar publicamente do chefe. “O dia em que discordar publicamente do presidente, eu me demito.” 

Reportagem - Carol Siqueira e Eduardo Piovesan
Edição - Marcelo Oliveira

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