Política e Administração Pública

Demissão do presidente da Petrobras repercute na Câmara

Líder do DEM na Câmara dos Deputados disse que a saída de Pedro Parente não ajuda na solução da crise dos combustíveis. Já o líder do PT espera que a demissão signifique mudança na política de preços da estatal

01/06/2018 - 16:18   •   Atualizado em 01/06/2018 - 18:09

A demissão do presidente da Petrobras, Pedro Parente, foi vista como uma vitória pela oposição, mas foi criticada por deputados ligados ao governo. Pelo Twitter, vários parlamentares comemoraram o que viram como um sinal de que a atual política de preços da Petrobras pode ser alterada.

Pedro Parente era defensor dessa política, que repassa as flutuações do preço do petróleo e do dólar para as distribuidoras, o que levou a mais de 200 atualizações de preço no último ano. Oposicionistas, no entanto, viram a recente crise com o preço dos combustíveis e a greve dos caminhoneiros como um sinal de que a política anterior era mais acertada, sem repasses frequentes.

O líder do PT, deputado Paulo Pimenta (RS), comemorou a saída de Pedro Parente e lembrou que ele foi ministro e está ligado às privatizações durante o governo Fernando Henrique Cardoso. “A demissão não basta, é preciso avançar mais, temos de derrotar a política de preços da Petrobras, mudar o conselho de administração, que hoje está tomado pelas multinacionais, e recuperar a Petrobras para os brasileiros. Esta derrota mostra que a pressão popular, a luta organizada, pode sim obter vitórias”, afirmou.

Política de preços
Em sua carta de demissão, Pedro Parente frisou que a Petrobras estava sendo gerida sem interferência política e que a empresa não precisou de recursos do governo para se recuperar. Ele disse que a crise com a greve dos caminhoneiros expôs a política de preços da Petrobras de forma equivocada, e considerou que sua permanência na presidência da empresa poderia impedir “a construção de alternativas”. Parente recomendou ao presidente Michel Temer que seu sucessor continue com a política atual da empresa. 

O líder do DEM, deputado Rodrigo Garcia (SP), lamentou a saída de Pedro Parente. Ele disse que sua demissão foi inoportuna e não ajuda na solução da crise. “Durante a greve dos caminhoneiros, todo brasileiro conheceu a política de preços praticada nos combustíveis pela Petrobras. E o governo, de maneira acertada, manteve essa política, e usou outros instrumentos, como a redução de impostos, para minimizar o aumento dos últimos dias”, declarou.

O Conselho de Administração da Petrobras indicou o atual diretor executivo da Área Financeira e de Relacionamento com Investidores da Petrobras, Ivan Monteiro, para presidir interinamente a estatal. O nome do presidente da empresa ainda precisa ser confirmado pelo governo.

Reportagem – Marcello Larcher
Edição – Pierre Triboli

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