Política e Administração Pública

Deputados posicionam-se favoráveis e contrários à continuidade da investigação contra Temer

10/07/2017 - 19:44  

Alex Ferreira / Câmara dos Deputados
Reunião ordinária para leitura do parecer do dep. Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) sobre a denúncia de corrupção passiva contra o presidente da República, Michel Temer. Advogado de defesa, Antonio Claudio Mariz
Votação do parecer do relator no processo contra o presidente da República, Michel Temer, será iniciada na quarta-feira (12)

Os deputados integrantes da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, da Câmara dos Deputados, manifestaram-se nesta segunda-feira (10) contrários e favoráveis ao parecer de Sergio Zveiter (PMDB-RJ) que pede a continuidade da investigação da denúncia (SIP 1/17) por crime de corrupção passiva contra o presidente da República, Michel Temer.

"Se há dúvidas, o foro para sanar essas questões é o Supremo Tribunal Federal", disse o deputado Rubens Pereira Júnior (PCdoB-MA), para quem a denúncia pode ser aceita apenas com indícios, que precisam ser esclarecidos no processo próprio, que é o inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF).

Para o deputado Wadih Damous (PT-RJ), é claro que os partidos de oposição têm a tendência de acatar a denúncia, mas ele disse que estudou a denúncia e acredita que ela precisa ser investigada. "Eu sou um crítico veemente de como se conduzem as delações premiadas, mas não é disso que se trata nesse processo. Precisamos autorizar essa investigação", disse.

Mais dois crimes
Já o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) disse que a defesa se esqueceu de dois crimes de que o presidente Temer também é acusado na denúncia: de comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha e do doleiro Lúcio Funaro, ambos denunciados e presos pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal, e preparando suas delações premiadas.

No entanto, para o deputado Laerte Bessa (PR-DF), não existe nenhum fato, e a denúncia é imprestável. "O Supremo é muito claro em dizer que uma gravação dessa natureza, como a que foi feita, só poderia ser usada em defesa própria", afirmou.

Para o deputado Afonso Motta (PDT-RS), apenas uma "prova constitutiva negativa" poderia dar razão aos deputados para desautorizar o processo contra Temer. "Se não existisse a mala de dinheiro, se a gravação não existisse, se Rocha Loures não tivesse feito algo descrito", listou o parlamentar os fatos descritos na denúncia.

Votação logo
Na avaliação de Carlos Marun (PMDB-MS), o quanto antes a Câmara votar o parecer sobre a denúncia, melhor para o País. Ele considera que o processo contra Temer é apenas uma vingança da oposição contra Temer. "Mas nenhum escândalo ocorreu neste governo. Todos os casos que estão sendo denunciados foram no governo passado", disse. Ele afirmou que o relatório de Zveiter é contraditório e, por isso, deve ser rejeitado.

Por sua vez, o deputado Alceu Moreira (PMDB-RS) defendeu Michel Temer, dizendo que foi uma farsa a denúncia, assim como a forma como foi gravada a conversa do presidente com o empresário Joesley Batista. "É uma novela, e arrumaram um crime encenado para derrubar o presidente da República, mas não vamos deixar", disse.

Parar a crise política
O deputado Fausto Pinato (PP-SP) disse que a denúncia não será enterrada, caso a Câmara não autorize a abertura do processo. Para ele, é preciso parar a crise política. "Quando acabar o mandato do presidente Temer, a denúncia será apurada e ele pode se defender", disse.

Para o deputado Mauro Pereira (PMDB-RS), também se deve dar tempo para que o País se recupere e, por isso, Temer não pode ser afastado nesse momento. "Não pode um marginal como Joesley Batista estancar o crescimento do Brasil", disse.

Para Hildo Rocha (PMDB-MA). a defesa do advogado do presidente Temer, Antonio Mariz, foi contundente, e não resta dúvida de que não houve crime. "Corrupção passiva é quando se pede ou se recebe recurso impróprio, e o presidente não recebeu nada, quem recebeu foi Rocha Loures", disse.

Reportagem - Marcello Larcher
Edição - Newton Araújo

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