Médicos de Poços de Caldas depõem em CPI

06/07/2004 - 11:20  

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Órgãos ouve, nesta tarde, os quatro médicos acusados pela morte de Paulinho Pavesi, em abril de 2000. O pai do garoto, Paulo Airton Pavesi, denunciou à CPI, em abril deste ano, que a equipe médica do hospital Pedro Sanches, em Poços de Caldas (MG), teria responsabilidade na morte de seu filho.
A audiência foi solicitada pelos deputados Neucimar Fraga (PL-ES) - presidente da Comissão, Kátia Abreu (PFL-TO) e Pastor Pedro Ribeiro (PMDB-CE).

Entenda o caso
Paulinho tinha 10 anos quando foi internado para uma cirurgia em razão de traumatismo craniano, sem risco de vida imediato, segundo os médicos. Porém, pouco depois, o pai foi informado que a criança havia sofrido morte cerebral. Com a morte, Pavesi deu permissão para a doação dos órgãos do filho. No entanto, desconfiado de irregularidades na conta apresentada pelo hospital, começou a investigar a morte de Paulinho e descobriu um esquema de tráfico que, segundo ele, contava com a conivência de pessoas influentes no estado de Minas Gerais, inclusive promotores públicos e parlamentares mineiros, que teriam tentado esconder a história na época.

Mais irregularidades
A partir daí, vários outros indícios de irregularidades foram surgindo. Entre eles, desvio de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) e cobranças indevidas feitas às famílias das vítimas, tanto doadores, quanto receptores. Pavesi acusa a equipe médica de ter assassinado seu filho. "Paulinho foi assassinado, não tenho dúvidas disso. A Central de Transplantes veio e fez o diagnóstico de morte encefálica no meu filho, o qual não poderia ter sido feito por uma série de fatores. Transferiram ele para outro hospital e retiraram os órgãos. Não foi feito, sequer, um segundo exame. Eles dizem que fizeram, mas não há um documento que prove isso", desabafa.
O presidente da CPI, deputado Neucimar Fraga, informou que a Comissão vai pedir proteção para a família de Paulo Pavesi. A testemunha disse que está recebendo ameaças desde que começou a investigar a morte do filho.

Médicos acusados
Participam da audiência o médico anestesiologista Sérgio Poli Gaspar, denunciado por Pavesi por emitir uma avaliação anestésica incorreta; e o urologista Celso Roberto Frassion Scaffi, que teria declarado, na descrição cirúrgica, que Paulinho estava sem morte encefálica.
Também vão depor na CPI o radiologista Jeferson André Saheki Skulski, que teria realizado imagens radiográficas que comprovariam a morte encefálica de Paulinho na Santa Casa. As imagens estão desaparecidas desde o início das apurações.
O quarto depoente é o médico neurocirurgião José Luiz Gomes da Silva. Ele participou do diagnóstico clínico de morte encefálica de Paulinho no hospital Pedro Sanches, e também do diagnóstico gráfico na Santa Casa de Misericórdia de Poços de Caldas (MG). O neurologista é acusado de ter acionado a Central de Transplantes antes de ter sido confirmada a morte cerebral. Ele foi denunciado pelo Ministério Público Federal por homicídio doloso.

A audiência começa às 14 horas, no plenário 9.

Reportagem - Natalia Doederlein
Edição - Simone Ravazzolli
Colaboração - CPI do Tráfico de Órgãos Humanos

(Reprodução autorizada mediante citação da Agência)

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