Economia

Será votado hoje relatório sobre uso do FGTS no Minha Casa Minha Vida

09/03/2016 - 09:05   •   Atualizado em 08/03/2016 - 20:04

Lucio Bernardo Junior / Câmara dos Deputados
Apreciação de relatório da Comissão Mista sobre a MP 698/15, para dispor sobre Operações de financiamento habitacional com desconto ao Beneficiário concedido pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS para aquisição de imóveis no âmbito do programa minha casa minha vida construídos com recursos do fundo de arrendamento residencial – FAR. Dep. Arnon Bezerra (PTB-CE)
Arnon Bezerra, relator da MP 698/15, acredita que medida irá auxiliar a superar a crise econômica que o País enfrenta

Deve ser votado hoje (9), na Comissão Mista, o parecer que pede a aprovação da Medida Provisória (MP 698/15) que muda regras do programa Minha Casa Minha Vida. A proposta envolve financiamentos feitos por famílias de baixa renda, custeados pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Com a alteração, caso essa famílias não paguem as prestações, o prejuízo será coberto pelo Fundo de Arrendamento Residencial. O deputado Arnon Bezerra (PTB-CE), relator do texto, diz que a aprovação da medida provisória é fundamental para dar continuidade ao programa federal de habitação popular, que este ano deve receber quase R$ 5 bilhões.

"Estamos convencidos que as medidas terão efeitos muito positivos sobre a manutenção da política habitacional do governo federal, além de a desejável geração de emprego e renda, considerando principalmente que o setor da construção civil é intensivo na contratação de mão de obra e se mostra muito importante para auxiliar a economia nacional em tempos de crise econômica", afirmou.

Arnon Bezerra acatou quatro sugestões de mudanças à proposta original do governo. Entre elas, a que reserva 10% dos recursos do programa habitacional para municípios com até 50 mil habitantes.

Divergências
Apesar disso, ainda não há consenso para aprovação do texto. Entre as divergências estão as condições impostas aos pequenos municípios para receber o programa: que mais de 7 em cada 10 habitantes viva na área urbana e que o crescimento na última década tenha sido superior à média registrada no estado.

Lucio Bernardo Junior / Câmara dos Deputados
Apreciação de relatório da Comissão Mista sobre a MP 698/15, para dispor sobre Operações de financiamento habitacional com desconto ao Beneficiário concedido pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS para aquisição de imóveis no âmbito do programa minha casa minha vida construídos com recursos do fundo de arrendamento residencial – FAR. Dep. Efrain Filho (DEM-PB)
Efraim Filho não concorda que recursos do FGTS sejam usados para financiar moradias de baixa renda que eram custeadas pelo governo federal

Já a reclamação do primeiro vice-líder do Democratas na Câmara dos Deputados, deputado Efraim Filho (PB), é sobre o uso do dinheiro do FGTS para custear o financiamento de casas para famílias da faixa 1 de renda, ou seja, que ganham até R$ 1.600 reais por mês. Ele lembra que essa faixa era coberta com recursos do Orçamento. “Aí o governo me parece que quebra e vai atrás do dinheiro do trabalhador para suprir esse vazio, essa lacuna que fica. Não é discordância, nem divergência com o programa nem com a sua importância. É com a fonte de recursos onde o governo foi buscar", reclamou Efraim.

O governo justifica o uso do FGTS para permitir que famílias de baixa renda consigam ter mais acesso às moradias do Minha Casa Minha Vida do que nas fases anteriores do programa habitacional.

O senador José Pimentel (PT-CE) explicou porque houve a alteração. "Tivemos um atendimento razoável dos trabalhadores de média renda, porque os de alta renda já tinham políticas desenvolvidas pelas construtoras, pelos bancos financiadores habitacionais - o que de certa forma andou relativamente bem. Mas com os trabalhadores de baixa renda não avançamos tanto. E é com esse olhar, de baixa renda, que estamos trabalhando".

Prazos
O relator disse que aceita negociar para viabilizar a votação nesta quarta-feira. Ele está preocupado com o prazo para votação da medida provisória, que tem até a próxima quinta-feira (10) para ser remetida à avaliação do Plenário da Câmara.

Além do prazo para apreciação do texto pelos deputados, o relatório tem até o fim deste mês (31/03) para ser aprovado também pelo Senado, caso contrário, perde a validade.

O governo conta com a aprovação da nova regra para lançar a terceira fase do programa habitacional, que tem como meta a construção de 2 milhões de novas moradias, até 2018. Até agora, já foram entregues mais de 2,5 milhões de imóveis.

A reunião da comissão mista está marcada para 14h30, no plenário 7 da Ala Alexandre Costa, no Senado.

Reportagem - Ginny Morais
Edição – Mônica Thaty

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara Notícias'.


Íntegra da proposta