Economia

Diretor de empresa garante que fundos terão retorno de investimentos

Deputados cobram fiscalização dos investimentos dos fundos de pensão

08/12/2015 - 21:27  

Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Audiência pública para tomada de depoimento do presidente do Grupo Canabrava, Ludovico Tavares Giannattasio
Ludovico Tavares: o período de investimento termina após oito anos e só então os fundos receberão participação e lucros.

Durante depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fundos de Pensão, o dono da empresa Canabrava, produtora de álcool e açúcar, Ludovico Tavares Giannattasio, garantiu que os fundos terão retorno de seus investimentos na empresa.

O Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, e o Postalis, o plano de previdência dos funcionários dos Correios, investiram, ao todo, na Canabrava, R$ 305 milhões.

O empresário depôs por conta de suspeitas em torno da operação. A Canabrava atraiu investidores dispostos a financiar usinas para produzir etanol e gerar energia com bagaço de cana-de-açúcar. Já em 2011 obteve grandes aportes do Petros e do Postalis, somando os R$ 305 milhões.

Segundo Ludovico Tavares, o projeto é de 10 anos, com a captação de recursos tendo início em 2011. Ludovico Tavares disse que o período de investimento termina após oito anos e só então os fundos receberão participação e lucros.

O empresário assegurou aos parlamentares que os fundos vão reaver o dinheiro investido. "Com toda certeza. Estou negociando a entrada de dois grupos do exterior. Como o Brasil agora está barato, vou assinar nesta semana com um fundo de investimento da Madeleine Albright. Ela foi secretária de Estado dos Estados Unidos e tem um fundo em Nova York. O representante dela esteve conosco e ela está definindo o investimento que ela vai fazer."

A usina da Canabrava foi inaugurada em 2012, mas, de acordo com reportagem da revista Exame publicada no último mês de agosto, o faturamento anual foi de R$ 186 milhões e o prejuízo de R$ 185 milhões, conforme os investidores, com base em balanços de quatro empresas do grupo. No entanto, Ludovico Tavares disse que, em 2014, o empreendimento apresentou lucro, mas, conforme avaliou, o resultado não deverá se repetir em 2015 por causa da falta de chuva.

Contradição
Para o presidente da CPI, deputado Efraim Filho (DEM-PB), o depoimento foi contraditório e precisa ser esclarecido. O deputado considerou que o depoimento ilustra a dificuldade de se fazer a fiscalização desse tipo de investimento no País. "É preciso esclarecer, é preciso ir a fundo e identificar contradições. Um fundo de investimento que conseguiu arrecadar mais de R$ 300 milhões de fundos de pensão, é preciso investigar o destino desse dinheiro. Todos eles justificam que é porque tem um tempo de amadurecimento. O que a gente vê é que de tanto esperar o negócio amadurecer, tem uns que estão ficando podre e, na hora de dar resultado, tem sido um grande prejuízo para os aposentados."

Fiscalização
A CPI também ouviu, nesta terça, representantes de órgãos de fiscalização. De acordo com o diretor de Fiscalização da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), Sérgio Djundi Taniguchi, o BNY Mellon administra 11 fundos, inclusive o Postalis.

Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Audiência pública para oitiva diretor de Fiscalização da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC), Sérgio Djundi Taniguchi
Taniguchi: a Previc tem cobrado do Postalis a reparação dos prejuízos aos cotistas. A entidade tem a intenção de entrar com novas ações judiciais contra o BNY Mellon.

Ele avaliou que o Mellon tem grande participação na administração do Postalis e que parte dos problemas tem influência do banco. Taniguchi disse ainda que a Previc tem cobrado do Postalis a reparação dos prejuízos aos cotistas e revelou que a entidade tem a intenção de entrar com novas ações judiciais contra o BNY Mellon.

O chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, disse que o banco acompanha de perto e que poderá tomar providências caso se comprovem ações para prejudicar o Postalis.

O relator da CPI, deputado Sérgio Souza (PMDB-PR), ressaltou que além de punir os responsáveis por eventuais negligências, "a CPI também quer ajudar a recompor as perdas dos fundos".

A CPI dos Fundos de Pensão teve prazo prorrogado na semana passada e, segundo o presidente Efraim Filho, o relatório final deverá ser votado em março de 2016.

Reportagem - Idhelene Macedo
Edição – Regina Céli Assumpção

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