Agropecuária

Parlamentares reclamam da burocracia na liberação do crédito rural

19/08/2015 - 00:38  

Em audiência pública da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, a deputada Teresa Cristina alertou para a demora na análise dos pedidos de financiamento. "Muitos produtores não conseguiram recursos para pré-custeio (compra de insumos básicos para a lavoura), o que encareceu os custos de produção".

Outro problema, segundo ela, são as exigências mais rigorosas, como a hipoteca da terra. "Antes era apenas penhor da safra, isso atrasa o recebimento do crédito," disse. "A safra de milho foi monstruosa e as empresas não tiveram recursos para a compra dessa produção, apesar das exportações estarem fluindo muito bem", assinalou.

"Há recursos no mercado, o grande problema é o afunilamento do crédito pela burocracia", falou o deputado Adilton Sachetti (PSB-MT).

Já o deputado Valdir Colatto (PMDB-SC) enfatizou que uma das exigências desnecessárias é a certidão negativa junto a serviços de proteção ao crédito do proprietário que arrenda a terra. Segundo ele, isso impede que o arrendatário tenha acesso ao crédito.

Outra exigência é a revalidação dos cadastros bancários, o que, conforme o parlamentar, adia as negociações com o banco por três ou até quatro meses.

Depósitos a vista
O diretor-adjunto de Negócios da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Ademiro Vian, chamou atenção para a queda de R$ 6,8 bilhões no volume dos depósitos a vista destinados ao crédito agrícola, tendência observada desde janeiro.

Hoje, os bancos têm de aplicar 34% da média diária de depósitos a vista, nas linhas de crédito rural. "Essa fonte não vai acompanhar a demanda do setor." Ele lembrou que os depósitos à vista (dinheiro que o público deposita nos bancos) são um dos instrumentos de política monetária prejudicados pela desvalorização do real.

O diretor do Departamento de Economia Agrícola do Ministério da Agricultura, Wilson Vaz de Araújo, admitiu que a pasta enfrenta cenário macroeconômico desfavorável se comparado ao período de 2009 a 2014. Ainda assim, o desempenho do crédito é positivo. "Claro, sabemos que depósitos à vista e a própria caderneta de poupança estão em situação mais delicada do que no ano passado", disse, ressaltando que a oferta de recursos aumentou em R $30 bilhões, de julho de 2014 para 2015.

O diretor de Agronegócios do Banco do Brasil, Ivandré Montiel da Silva, por sua vez, destacou o crescimento de 3% do volume de recursos injetado pela instituição no agronegócio neste ano. Do primeiro para o segundo trimestre, a carteira agrícola do banco, segundo ele, passou de R$ 163,4 bilhões para R$ 168,3 bilhões.

Desse total, 29% operações de crédito rural foram voltadas ao custeio (despesas básicas da lavoura); 20% à agroindústria e 46% a investimentos (modernização agrícola).

Reportagem - Emanuelle Brasil
Edição – Regina Céli Assumpção

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