Direitos Humanos

Pedagoga diz que doenças crônicas podem estar associadas a violência na infância

06/08/2015 - 21:54  

A pedagoga e arte-educadora Maria de Lurdes Magalhães, do Ministério da Saúde, assinalou que evidências mostram que a exposição às experiências pessoais e ambientais ficam incorporadas biologicamente desde muito cedo na criança e interferem no seu desenvolvimento como pessoa. No caso da violência, de modo negativo. “As possíveis consequências das grandes adversidades e do estresse crônico na primeira infância vão além dos domínios do desenvolvimento socioemocional e cognitivo. Elas também têm implicações importantes para as doenças crônicas na fase adulta”, alertou.

Maria de Lurdes participou nesta quinta-feira (6) do programa Pauta Feminina, iniciativa das Procuradorias da Mulher do Senado e da Câmara dos Deputados, em conjunto com as bancadas femininas das duas Casas. O debate foi sobrea Lei Maria da Penha (11.340/06) e os agravos da violência na primeira infância.

Ela assinalou que medidas protetivas em favor das crianças previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA – Lei 8.069/90) devem ir além de políticas públicas destinadas a dar efetividade ao conjunto de direitos no campo da saúde.

Adoção
Também participou do debate a coordenadora da organização Aconchego, Maria da Penha Oliveira e Silva, que, entre outras atividades, atua na capacitação de pretendentes a adoção ou a amadrinhamento/apadrinhamento legal de crianças. Logo ao se apresentar esclareceu não ser a pessoa que inspirou a Lei Maria da Penha. 

Ela registrou dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que dão conta da existência de 46 mil crianças vivendo em instituições de acolhimento (3.784 estabelecimentos). Desse total de crianças, 30% teriam menos de 6 anos de idade, exatamente a faixa da primeira infância.

Maria da Penha citou ainda estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), de 2003, sobre motivos que levavam ao internamento de crianças em abrigos no País. Segundo os dados, a principal causa era a carência de recursos da família (24,1%), abandono pelos pais ou responsáveis (18,8%) e, em terceiro lugar, a violência doméstica (11,6%). Maria da Penha confirmou os efeitos negativos da violência familiar sobre as crianças e adolescentes abrigados.

Da Redação – RCA
Com informações da Agência Senado

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