Ciência, tecnologia e Comunicações

Código nacional de ciência vai criar ambiente favorável à inovação, diz relator

09/07/2015 - 17:27  

O deputado Sibá Machado (PT-AC), relator do projeto que cria o Código Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (PL 2177/11), disse que o principal objetivo do texto aprovado nesta quinta-feira (9) é criar um ambiente de trabalho mais favorável para o desenvolvimento da pesquisa e da inovação no País.

Luis Macedo/Câmara dos Deputados
Sessão para análise e votação da Medida Provisória 671/15, que vincula o parcelamento de dívidas dos clubes desportivos com a União a práticas de gestão mais transparentes, como conselho fiscal independente e limite para a reeleição de dirigentes. Líder do PT, dep. Sibá Machado (BA)
Sibá Machado: proposta favorece parcerias entre o setor público e a iniciativa privada

Segundo ele, antes da publicação da Emenda Constitucional 85 pelo Congresso, a Carta Magna do País nem sequer tinha a palavra “inovação” em seu texto.

“Com as modificações trazidas pela Emenda 85 [promulgada em fevereiro deste ano], o Brasil passou a dispor de um marco legal que atende melhor o trabalho da pesquisa e da inovação pública em parceria com a iniciativa privada”, disse Sibá Machado.

“Agora, de certa forma, essa proposta vem para regulamentar esses artigos da Constituição”, disse o relator.

Cooperação com setor privado
Uma das novidades trazidas pela Emenda Constitucional 85 permite que União, estados, Distrito Federal e municípios criem instrumentos de cooperação com órgãos e entidades, públicos e privados, para a execução de projetos de pesquisa, de desenvolvimento científico e tecnológico e de inovação, incluindo o compartilhamento de recursos humanos especializados e da capacidade instalada.

A deputada Luciana Santos (PCdoB-PE) disse que o projeto aprovado garante uma política nacional de ciência, tecnologia e inovação que fortalece os Institutos de Ciência e Tecnologia (ICTs). “No Brasil, temos 123 ICTs, 39 só na área da saúde”, observou a deputada, que também destacou a importância de parcerias entre os setores público e privado.

“A pesquisa no País se dá basicamente nas universidades. No mercado, só temos entre 2% e 3% dos pesquisadores”, informou Luciana Santos. “Com essa nova legislação, vamos facilitar as parcerias entre institutos privados e públicos para que o conteúdo produzido nas universidades seja aproveitado e desenvolvido pela iniciativa privada”, comentou.

Segundo ela, com a flexibilização dos ICTs, a ideia é fortalecer uma rede de produção de conhecimento e reduzir “o grande empecilho para o processo de inovação no País”.

Desenvolvimento nacional
O deputado Edmilson Rodrigues (Psol-PA) destacou que um novo marco legal para o setor de tecnologia e inovação é fundamental para um futuro mais digno para o Brasil. “Hoje, a imprensa do mundo todo comenta que autoridades de países como o Brasil e de potências centrais do capitalismo são vítimas de espionagem pelos EUA. Ora, por um motivo simples: eles dominam tecnologias sobre telecomunicações e sobre a produção de satélites”, observou Rodrigues.

Para o deputado, o Brasil deve perseguir esse tipo de conhecimento para conseguir enfrentar qualquer tipo de dependência. “Só assim o Brasil vai poder se firmar como potência”, concluiu.

Reportagem – Murilo Souza
Edição – Pierre Triboli

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