Educação, cultura e esportes

Especialistas pedem planejamento para evitar violência nos estádios

29/04/2015 - 21:31  

Luis Macedo / Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre a violência nos estádios. Controle de Dopagem do Ministério do Esporte - ABCOME, Marco Aurélio Klein
Klein: situações como atendimento médico, queda de energia, problema de transporte ou enchente podem ser previstas com protocolos de solução.

A organização e o planejamento prévio são algumas das soluções apontadas pelos convidados que discutiram a violência nos estádios de futebol em audiência pública nesta quarta-feira (29) na Comissão do Esporte.

O secretário Nacional da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem do Ministério do Esporte, Marco Aurélio Klein, afirmou que é inaceitável que um jogo de futebol seja realizado sem nenhuma forma de previsão de planejamento.

Para ele, a Copa do Mundo realizada no Brasil no ano passado é a prova de que a organização faz um evento funcionar. "Aquilo que chamei genericamente de protocolos operacionais, ou seja, o que fazer diante de cada situação, de todas as situações possíveis, não apenas nas questões que possam gerar violência.”

Na opinião de Klein, situações como um atendimento médico,  uma queda de energia, um problema de transporte, uma enchente podem ser previstas com protocolos de solução. “É possível, é uma questão de tirar o foco e não transformar um jogo de futebol em praças de guerra, de operações militares, de repressão. É organizar e trazer isso de uma forma melhor."

Luis Macedo / Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre a violência nos estádios. Presidente da Associação Nacional das Torcidas Organizadas (Anatorg), André Silva Azevedo
Azevedo: a marginalização das torcidas pelas autoridades em nada ajuda na solução do problema da violência.

Marginalização das torcidas
O presidente da Associação Nacional das Torcidas Organizadas, André Silva Azevedo, explicou que a maioria das pessoas que entram em torcidas organizadas já possui um histórico de exclusão social.

Para ele, a marginalização das torcidas pelas autoridades em nada ajuda na solução do problema da violência. "Tem que parar com essa forma de agir. Conforme vai tendo o problema, a gente tem que se aproximar mais, tem que reeducar e tem que reinserir o cara não só na arquibancada, mas no nosso dia-a-dia."

Segundo o deputado João Derly (PCdoB-RS), autor do pedido da audiência pública, a discussão do tema na comissão poderá ajudar o colegiado a identificar o que ocasiona a violência nos estádios e atuar para a solução do problema.

Luis Macedo / Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre o doping no esporte brasileiro; estudos e medidas de controle antidoping; educação, fiscalização, exames e laboratórios além de alternativas legislativas e controle governamental. Dep. João Derly (PCdoB - RS)
Derly: o debate pode ajudar a mostrar de que forma a comissão pode atuar.

Para Derly, o debate pode ajudar a mostrar de que forma a comissão pode atuar, “de que forma se pode fiscalizar e eliminar aqueles brigões que a gente ouve falar, que a gente vê em alguns casos específicos."

Ocupação dos estádios
De acordo com dados do Ministério do Esporte, a média de ocupação das cadeiras nos estádios brasileiros é de 35%. Na Alemanha e na Inglaterra, por exemplo, a média é de 96%.

Segundo pesquisa do Instituto Stochos, 43% de 8 mil entrevistados apontam a falta de segurança nos estádios como fator para não assistir aos jogos.

Reportagem - Lucas Ludgero
Edição – Regina Céli Assumpção

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