Confederação do Desporto Escolar defende arrecadação autônoma
15/04/2015 - 21:53
O presidente da Confederação Brasileira do Desporto Escolar (CBDE), Antônio Hora, defendeu nesta quarta-feira (15) na Câmara a arrecadação autônoma dos recursos do desporte educacional, sem a participação do Comitê Olímpico Brasileiro (COB).
Em resposta ao deputado Fábio Mitidieri (PSD-SE), durante audiência pública promovida pela Comissão de Esporte, Hora assinalou que há diferença nas prioridades. “Nós entendemos que o dinheiro do esporte educacional não deveria estar indo para o COB, por que os conceitos são distintos. Se o COB tem uma meta para as olimpíadas de 2016, fica claro que o comitê está em busca de rendimentos; no desporto escolar devemos privilegiar a educação, e não o rendimento”, disse.
Diferença de prioridades
Diferente do esporte de rendimento, a modalidades esportivas na escola priorizam o “espírito de equipe” e o aprendizado contínuo, em vez da competitividade, afirmou o presidente da Federação Escolar de Minas Gerais, Éverson Ciccarini. “Ainda assim, o aluno tem a chance de representar o Brasil em competições internacionais”, ressaltou. Participam do programa desportivo escolar mineiro 188 mil alunos em 813 municípios.
O presidente do CBDE concordou como as observações e afirmou que o esporte educacional é inclusivo por natureza. “Uma escola campeã brasileira vai competir no mundial levando consigo alunos que não têm um perfil de atleta, são jovens que só no esporte escolar podem ter a oportunidade de defender o País”, afirmou. No entanto, fez a ressalva de que muitos alunos de escolas públicas são alijados das competições, justamente por não haver o financiamento da passagem aérea.
Já o deputado Evandro Rogerio Roman (PSD-PR) acredita ser difícil conter o lado competitivo da criança, quando a TV evidencia o esporte de alta competitividade. O parlamentar sugeriu campanhas para esclarecer o diferencial entre a educação física e a competição, inclusive com a capacitação de profissionais aptos a identificar atletas promissores na escola. Nesse ponto, Éverson Ciccarini lembrou que, até os 12 anos, os alunos participam apenas de festivais esportivos, só a partir daí ingressam em jogos.
Segundo a coordenadora-geral de futebol profissional Ministério do Esporte Mariléia dos Santos, o desporto escolar é um meio de corrigir os gargalos do esporte brasileiro. Segundo ela, falta planejamento para disputar eventos esportivos internacionais, sobretudo no futebol feminino que congrega 30 mil atletas, mas é o sétimo do ranking internacional. Ela defendeu a prática do esporte como meio de superar as defasagens técnicas.
Antônio Hora enfatizou outra demanda do CBDE: uma cadeira no Conselho Nacional de Esporte, órgão que assessora o Ministério do Esporte.
Reportagem – Emanuelle Brasil
Edição – Regina Céli Assumpção