Política e Administração Pública

Delatores apontam tesoureiro do PT como destinatário de propinas

09/04/2015 - 19:26  

O nome do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, aparece com destaque nos depoimentos feitos pelo ex-gerente de Tecnologia da Petrobras, Pedro Barusco, em delação premiada. Barusco admitiu à Justiça e à CPI da Petrobras ter recebido propinas em cerca de 90 contratos da Petrobras, entre 2003 e 2011, dinheiro também repassado a Vaccari e ao ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque.

Entre os contratos que deram origem a propinas estão, segundo ele, os firmados para a construção de sondas de perfuração pela empresa Sete Brasil (propina paga pelos estaleiros Atlântico Sul, Enseada do Paraguaçu, Rio Grande e Kepel Fels), aluguel de navios plataformas junto à empresa holandesa SBM Offshore e implantação do gasoduto Gasene (construído pelas empreiteiras Bueno e Galvão Engenharia).

O vice-presidente da construtora Camargo Corrêa, Eduardo Leite, também acusou Vaccari. Ele ficou preso quase quatro meses acusado de corrupção, organização criminosa, lavagem de dinheiro e uso de documentos falsos. Ele foi libertado depois de fazer delação premiada, na qual admitiu ter pago propina ao tesoureiro do PT.

“Acusações falsas”
“São falsas as acusações contra mim contidas nesses depoimentos”, disse Vaccari várias vezes, nesta quinta-feira (9), ao responder perguntas dos deputados integrantes da CPI da Petrobras.

No depoimento à CPI, Vaccari negou ter atuado como operador do PT junto às empreiteiras. “Eu sou tesoureiro do PT desde 2010 e nunca participei de arrecadação de dinheiro para campanhas”, disse. Segundo ele, desde 2006 (ou seja, depois do escândalo do Mensalão) o PT separou as atribuições do tesoureiro, e a arrecadação de campanhas ficou a cargo do coordenador do comitê eleitoral.

“Eu participei, como secretário de Finanças, de missões institucionais de capturar recursos para o partido e não para campanhas”, disse Vaccari. Foi dessa maneira, segundo ele, que ele conheceu alguns dos empresários acusados de formação de cartel, corrupção e lavagem de dinheiro da Petrobras, como Gerson Almada, Eduardo Leite e Júlio Camargo.

Ele também disse conhecer o doleiro Alberto Youssef, apontado pela Polícia Federal como o personagem principal do esquema de lavagem de dinheiro. “Mas eu nunca tratei de recursos financeiros com ele”, disse. Depois de pressionado pelos deputados, ele disse já ter ido ao escritório de Youssef. “Mas ele não estava e não sei o que ele queria comigo”, explicou.

Reportagem - Antônio Vital
Edição - Newton Araújo

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