Política e Administração Pública

Relembre o que Graça Foster já disse ao Congresso

26/03/2015 - 10:31  

No ano passado, a ex-presidente da Petrobras Graça Foster prestou depoimento durante sete horas na CPI Mista da Petrobras. Relembre o que ela falou sobre:

Abreu e Lima
À CPMI, Foster explicou, do ponto de vista técnico, casos como o aumento do custo final da refinaria Abreu e Lima. Segundo ela, a Petrobras teve de construir mais do que o parque de refino, pagando também trechos do porto de Suape e rodovias até a refinaria. Isso teria imposto custos adicionais à obra, orçada inicialmente em 2,5 bilhões de dólares, mas que custou 18,5 bilhões de dólares.

Pasadena
Ela também defendeu, na ocasião, a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, negócio que motivou a criação da CPMI. Ela admitiu que a compra da refinaria foi um mau negócio, se analisada atualmente, mas uma compra potencialmente boa na época. A refinaria custou 1,25 bilhão de dólares, somados a 680 milhões de dólares em obras de manutenção.

A refinaria de Pasadena foi comprada pela empresa belga Astra Oil, em 2005, por 42,5 milhões de dólares. Um ano depois, a estatal brasileira decidiu adquirir 50% da refinaria ao custo de US$ 360 milhões, e se tornou sócia da emprega belga.

SBM Offshore
Foster também negou, no depoimento que deu à CPI Mista no ano passado, privilégios da Petrobras à empresa holandesa SBM Offshore, acusada pelo Ministério Público de pagamento de propina a funcionários da Petrobras em troca de contratos. A Petrobras, desde 1996, firmou contratos no valor de mais de 27 bilhões de dólares com a empresa.

Na época ainda não havia sido divulgado o depoimento à Polícia Federal em que o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco disse que recebeu propinas de 22 milhões de dólares da SBM Offshore de 1997 a 2010. A propina, segundo ele, teria sido paga pelo empresário Júlio Faerman, justamente o depoente que deveria ter comparecido à CPI hoje, no lugar de Foster. Faerman não foi localizado pela CPI.

Diretoria de Gás e Energia
Barusco acrescentou que na Diretoria de Gás e Energia (dirigida inicialmente por Ildo Sauer e depois por Maria das Graças Foster), o percentual de propina variava entre 1% e 2%. A propina, segundo ele, seria dividida entre João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, e diretores da Petrobras (como o próprio Barusco e Renato Duque). Ele disse, porém, que Ildo Sauer e Graça Foster não participavam do esquema. Segundo ele “não havia espaço para conversar” com eles a respeito disso.

Outro delator do esquema, o engenheiro Shinko Nakandakari também confirmou à Justiça Federal pagamentos de propina a Renato Duque e ao tesoureiro do PT, em contratos da Diretoria de Gás e Energia, entre 2008 e 2013. Estes contratos também estão sob investigação da Polícia Federal na Operação Lava Jato. Mas Foster não foi acusada de participação até o momento.

Aviso da ex-gerente
O nome de Graça Foster também foi mencionado pela ex-funcionária da Petrobras Venina Velosa da Fonseca – gerente da Petrobras durante a gestão de Paulo Roberto Costa, outro delator do esquema.

Venina disse ter avisado Graça Foster de desvios de dinheiro na estatal antes que a operação Lava Jato, da Polícia Federal, fosse deflagrada.

Graça Foster negou ter sido avisada por Venina a respeito de irregularidades da implantação da refinaria Abreu e Lima.

Reportagem - Antonio Vital
Edição - Natalia Doederlein

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