Relações exteriores

Especialistas: política externa do Brasil fraquejou por incoerência e falta de planejamento

02/12/2014 - 17:17  

Antônio Augusto / Câmara dos Deputados
Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN); Instituto InfoRel de Relações Internacionais e Defesa; e a Fundação Konrad Adenauer realizam o “Seminário Brasil no Mundo - Deveres e Responsabilidades”. Na oportunidade, especialistas debatem sobre as prioridades que o novo governo brasileiro terá de eleger em relação aos principais temas geopolíticos impostos às políticas externa, de defesa e de inteligência
Comissão da Câmara dos Deputados promoveu o seminário "O Brasil no Mundo: Deveres e Responsabilidades".

Especialistas em relações internacionais foram unânimes em afirmar nesta terça-feira (2) que a política externa brasileira fraquejou nos últimos anos por falta de planejamento e de coerência, criando uma espécie de "zona cinza", caraterizada por incertezas.

Para o sociólogo e diretor de Inteligência e Estratégia da Arko Advice, Thiago de Aragão, a postura e o papel do Brasil no mundo não estão muito claros atualmente. "O planejamento e a coerência é o que hoje não está muito claro aos olhos dos estudiosos e da comunidade internacional em relação à postura do Brasil.”

Segundo ele, “seja uma política externa centralizada no Itamaraty ou na Presidência da República, há que se ter coerência e planejamento, tendo em vista que a politica externa é uma politica de estado e não de governo ou de partido, isso sim trará o protagonismo de volta ao Brasil que nos últimos anos acabou por sumir de certa forma".

Política personalista
Como um dos participantes do seminário "O Brasil no Mundo: Deveres e Responsabilidades", que discutiu os rumos da política externa brasileira para o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, Thiago de Aragão comentou ainda que o ativismo internacional brasileiro começou a perder força depois que a política externa de caráter personalista adotada pelo ex-presidente Lula acabou não sendo mantida pela presidente Dilma Rousseff.

"A partir do momento que essa personalização no presidente Lula passou, com a chegada da presidente Dilma, ficou difícil voltar ao Itamaraty essa capacidade de formulação e execução da política externa brasileira”, ressaltou. “Pois aí as forças e interesses políticos partidários no campo da política externa já estavam bem fortalecidos."

Sem interesses reais
Ainda durante o seminário promovido em conjunto pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, pelo Instituto InfoRel e pela Fundação Konrad Adenauer, o Presidente da Câmara de Comércio Bilateral Brasil-África do Sul, Creomar de Souza, criticou a dificuldade do Brasil de definir qual é o real interesse nacional em termos de política externa.

"O interesse nacional é só o interesse partidário ou é o interesse multifacetado, pluripartidário? Essa dificuldade ainda se faz presente como tomadores de decisão”, criticou. “De maneira geral, a gente pode dizer que há uma relativização de pontos fundamentais que marcam a trajetória brasileira no sistema internacional. É como se nós tivéssemos criado algumas zonas cinza dizendo: isso vale para A, mas não vale para B, que é meu amigo."

Inserção
Para o cientista político e coordenador de Estudos e Debates do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) Leonardo Paz, a inserção brasileira nas cadeias globais de comércio e nos grandes acordos internacionais deve estar no topo da agenda do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff.

Reportagem – Murilo Souza
Edição – Newton Araújo

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