Ciência, tecnologia e Comunicações

Presidente da EBC defende criação de operador único para emissoras públicas

Durante Fórum Brasil de Comunicação Pública, Nelson Breve enumerou algumas demandas que precisam ser atendidas pelas emissoras públicas.

13/11/2014 - 19:46  

Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados
Secretaria de Comunicação da Câmara e Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação com Participação Popular realizam o Fórum Brasil de Comunicação Pública. Diretor-presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC ), Nelson Breve
Breve: com o operador único, as emissoras públicas poderiam reduzir custos operacionais com o compartilhamento da infraestrutura de transmissão.

O presidente Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Nelson Breve, defendeu a criação de operador único para emissoras de públicas, durante a segunda etapa do Fórum Brasil de Comunicação Pública. “É quase muito tarde para se criar um operador de rede para todo o campo da comunicação pública, se o acordo não for firmado logo, perderemos ainda mais espaço”, afirmou.

O operador único ou operador de rede para a rede de TV Pública Digital será a infraestrutura de transmissão dos sinais de diversas emissoras do campo público, nacionais e locais, que deverão fazer parte do sistema. O operador único está previsto no Decreto 5820/06, que instituiu o Sistema Brasileiro de TV Digital, mas ainda não foi criado.

Com o operador único seria possível às emissoras públicas reduzirem os custos operacionais por meio do compartilhamento da infraestrutura de transmissão. Esse é o primeiro passo para criar uma rede nacional que beneficiaria todo o sistema de comunicação pública – que é constituída pelas emissoras geridas pela EBC (TV Brasil e TV NBr), pelas emissoras legislativas (TV Senado e TV Câmara), pela TV do Judiciário (TV Justiça) e os canais da Educação (MEC), Cultura (Minc) e Cidadania (Minicom).

O presidente da Associação Brasileira de Televisões e Rádios Legislativas (Astral), Rodrigo Lucena, também defende a instalação do operador único. Segundo ele, “apesar de o sistema integrado de transmissão não ser exequível no curto prazo, não deixa de ser uma meta a ser atingida e, para tanto, é preciso contar com a intenção do governo em criar uma plataforma para a TV Pública”.

Demandas de emissoras públicas
Durante o evento organizado pela Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e Direito à Comunicação com Participação Popular em parceria com a Secretaria de Comunicação da Câmara dos Deputados. Nelson Breve enumerou algumas demandas que precisam ser atendidas pelas emissoras públicas. Ele citou a criação de softwares para a interatividade plena, o aumento das verbas orçamentárias e a universalização do acesso.

Para Breve, desde a assinatura da Carta de Brasília, em 2007, as empresas de comunicação pública reconhecem a urgência em acompanhar a transição da era analógica para a digital, por meio da convergência das diversas modalidades da radiodifusão. “A transição para plataformas digitais exige investimento em infraestrutura, desenvolvimento de softwares de interatividade e parceira com o Congresso, na elaboração de regras para propriedade intelectual no âmbito digital”, afirmou. No entanto, por ser o mais caro, o modelo digital requer maior verba orçamentária para as empresas de comunicação pública.

Estima-se, por exemplo, em mais de R$100 milhões a implantação da TV digital nas cidades com de 100 milhões habitantes. Para o período de 2013 a 2015, o orçamento para comunicação pública foi previsto em R$380 milhões, mas apenas R$ 40 milhões foram gastos, então vamos ficar devendo mais de R$300 milhões para a sociedade, disse.

Rádio digital
Segundo Breve, digitalizar o serviço de rádio não significa abrir mão das plataformas analógicas de ondas curtas e médias, mas replicá-las e inseri-las no âmbito digital. “As ondas curtas podem ser aproveitadas para a transmissão de rádio para áreas distantes do centro-sul, com o objetivo de atender a públicos negligenciados pelas emissoras comerciais”, ressaltou.

O presidente da EBC citou o exemplo da Rádio Nacional da Amazônia responsável por estender, por meio de ondas de curta frequência, a cobertura de rádio para a população amazônica, envolvendo cerca de 60 milhões de potenciais ouvintes.

Reportagem - Emanuelle Brasil
Edição – Regina Céli Assumpção

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