Saúde

Autoridades destacam importância de diagnóstico correto da febre chikungunya

Doença é transmitida por dois tipos de mosquitos, um deles o Aedes aegypti, o mesmo da dengue. Audiência pública na Câmara também abordou o risco de o vírus ebola chegar ao Brasil.

13/11/2014 - 15:19  

Em entrevista à TV Câmara, deputado Amauri Teixeira alerta: “Chikungunya tem letalidade pequena, mas atrapalha muito a vida dos cidadãos”.

Falta pouco mais de um mês para o início do verão e o Brasil sofre a ameaça das chamadas novas epidemias. A Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados debateu, nesta quinta-feira (13), a ameaça da febre chikungunya e do ebola com representantes do Ministério da Saúde, da Fiocruz e do Instituto Emílio Ribas.

Com relação à febre chikungunya, a maior preocupação das autoridades é que doença se espalhe e possibilite diagnósticos errados de dengue. A chikungunya é uma moléstia viral transmitida por dois tipos de mosquito, entre os quais o Aedes aegypti, o mesmo da dengue. Os sintomas são parecidos com os da dengue e incluem febre acima de 39 graus, de início repentino, e dores intensas nas articulações de pés e mãos. A diferença é que, ao contrário da dengue, não mata.

Segundo explicou o diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch, o erro no diagnóstico pode retardar o tratamento correto. "Se for dengue, quando há o agravamento, é importante uma intervenção rápida: deve-se internar a pessoa, fazer uma hidratação e ter um cuidado mais intenso. Se for chikungunya, isso não é necessário."

No Brasil, já foram confirmados quase 800 casos de febre chikungunya e mais de 900 ainda estão em investigação. Amapá, com 470 episódios, e Bahia, com 567, são os estados com maior incidência. Essa febre só é mortal para recém-nascidos e idosos, caso esteja associada a outras enfermidades.
Chikungunya

Ebola
Se a chikungunya é de baixa gravidade e tem potencial de se espalhar pelo País, o vírus ebola é o contrário: possui elevada taxa de mortalidade e possibilidade baixíssima de propagação, quanto mais de chegar ao Brasil. Os aeroportos e portos já têm planos de contingência para a entrada do vírus, que são constantemente revisados e adequados, de acordo com orientações do Ministério da Saúde. Na África, já foram notificados 14 mil casos e pouco mais de 5 mil mortes.

O vice-presidente de Pesquisa e Laboratórios de Referência da Fiocruz, Rodrigo Guerino Stabeli, ressaltou que pessoas que viajam aos países com ebola, quando chegam ao Brasil, são direcionadas ao posto da Anvisa local e respondem a um questionário. "Se o suspeito de estar contaminado não tiver febre e ele tiver boas condições de saúde, é liberado para entrada no País. Não podemos discriminar os oriundos dos países onde há epidemia ou quem vai visitá-los.”

Conforme Guerino, se a pessoa apresentar risco de ter o vírus, ela passa a ser monitorada por uma equipe. Se após alguns dias apresentar sintoma do ebola, é orientada a ir uma unidade de saúde, que faz um tratamento especial e a isola. Aí entra em campo a Secretaria de Vigilância e Saúde do Ministério da Saúde, que desloca a pessoa para o Instituto Nacional de Infectologia da Fiocruz, como ocorreu no caso suspeito da cidade de Cascavel no Paraná.

No debate, o representante do Hospital Emílio Ribas, Luiz Carlos Pereira Júnior, propôs que o trabalho nas unidades de saúde seja contínuo em relação ao ebola, para que não haja retrocesso quanto à segurança e às informações sobre os casos.

De acordo com o Ministério da Saúde, até o final deste mês, dobrará o número de laboratórios (de 7 para 14) aptos a fazer o exame da doença no País.

A audiência pública foi pedida pelos deputados Amauri Teixeira (PT-BA), Mandetta (DEM-MS), Eleuses Paiva (PSD-SP), Geraldo Resende (PMDB-MS) e Rosane Ferreira (PV-PR).

Reportagem – Luiz Cláudio Canuto
Edição – Marcelo Oliveira

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara Notícias'.