Relações exteriores

Parlasul declara apoio à soberania da Argentina sobre as Ilhas Malvinas

10/11/2014 - 18:50  

Em reunião realizada nesta segunda-feira (10) em Montevidéu, no Uruguai, parlamentares de Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela aprovaram uma declaração pela qual consideram "legítima e imprescritível” a soberania da Argentina sobre as Ilhas Malvinas, Georgias do Sul, Sandwich do Sul e seus espaços marítimos circundantes. Atualmente, essas áreas são consideradas territórios britânicos ultramarinos.

Divulgação
Deputado Newton Lima na reunião do Parlasul
Newton Lima: declaração reforça "posicionamento histórico" do Parlasul sobre as Malvinas.

O Parlamento do Mercosul (Parlasul) ressaltou o “permanente interesse” dos países da região por uma solução “pacífica e definitiva” para essa questão.

A declaração aprovada também considera necessário cumprir os objetivos propostos pela Resolução 41/11 da Assembleia Geral das Nações Unidas, que considera as ilhas uma Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul e manifesta oposição à presença militar do Reino Unido na área. O Parlasul manifestou ainda repúdio a operações não autorizadas pelo governo argentino de exploração de hidrocarbonetos na plataforma continental daquela região.

O deputado Dr. Rosinha (PT-PR) lamentou que o tema das Malvinas não seja ainda muito discutido no Brasil. Ele ressaltou, porém, que a decisão de hoje é de um parlamento regional e reflete a solidariedade das demais nações do Mercosul à Argentina.

O deputado Newton Lima (PT-SP) enalteceu que o encontro reforça o "posicionamento histórico" do Parlasul sobre as Malvinas e também prepara os parlamentares para a cúpula dos chefes de Estado do Mercosul, prevista para dezembro, na Argentina. Na ocasião, o Brasil reassumirá a presidência do bloco econômico.

"Tenho certeza de que voltamos a um ritmo regular de trabalho e, no ano que vem, teremos condições de aprofundar, ainda mais, a relação entre os povos que compõem o Mercosul e o Parlasul, além de caminharmos para a entrada definitiva da Bolívia e a expansão do nosso bloco", disse Lima.

Eleição direta
Ex-presidente do Parlasul, Doutor Rosinha subiu à tribuna, nesta segunda, para voltar a defender a eleição direta dos membros que integram o Parlamento regional. Apesar de essa recomendação constar do Protocolo Consultivo do Parlasul, apenas o Paraguai adota esse sistema atualmente. Nos demais países, os parlamentares do Mercosul são indiretamente indicados por seus Congressos Nacionais.

Arquivo/ Larissa Ponce
Dr. Rosinha
Dr. Rosinha voltou a defender a eleição direita para membros do Parlasul.

Para Doutor Rosinha, que vive os últimos meses de mandato no Brasil e no Parlasul, só a eleição direta poderá aproximar a população do Parlasul. “É a única maneira de reduzir o deficit democrático da região porque, hoje, o povo, de uma maneira geral, não participa do Parlamento", declarou.

O parlamentar avalia ainda que a eleição indireta, de certa forma, paralisa as atividades do Parlasul por vinculá-lo às peculiaridades dos Congressos Nacionais. Ele cita o exemplo do Brasil, onde os deputados eleitos neste ano para a Câmara só tomarão posse em fevereiro e devem levar, pelo menos, mais dois ou três até serem indicados para o Parlasul.

Jovens
No último fim de semana, o Parlasul também promoveu o 3º Encontro Internacional do Parlamento Juvenil do Mercosul, que reuniu cerca de 150 jovens dos cinco países.

O deputado George Hilton (PRB-MG) destacou a importância do encontro para garantir uma integração regional cada vez mais abrangente. “Estamos preparando essa juventude para consolidar uma integração não apenas política, mas também social e cultural, o que fortalece muito os laços dos nossos países", apontou.

Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Marcelo Oliveira
Com informações da Agência Senado

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