Política e Administração Pública

Diretas Já: sintonia entre as lideranças políticas e a maioria da população

Em sessão solene nesta quarta-feira (7), parlamentares prestaram homenagens aos 30 anos do movimento Diretas Já.

07/05/2014 - 19:39   •   Atualizado em 07/05/2014 - 21:29

Luis Macedo / Câmara dos Deputados
Homenagem aos 30 anos do Movimento “Diretas Já”
Parlamentares se revesaram nas homenagens e recordações da mobilização nacional.

A Câmara dos Deputados realizou sessão solene nesta quarta-feira (7) em homenagem aos 30 anos do movimento Diretas Já, campanha que levou os brasileiros às ruas em 1983/1984 para pedir a volta das eleições diretas para presidente da República.

O deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), autor da sugestão da homenagem, afirmou que a campanha manifestou um momento de grande sintonia entre as principais lideranças políticas do País e a maioria da população. O parlamentar informou que pesquisa do Ibope à época apontava 84% de pessoas favoráveis à aprovação da emenda Dante de Oliveira, que previa eleições diretas para presidente da República.

“A mobilização foi extraordinária. Imensas manifestações foram realizadas por todo o País. As maiores delas na Cinelândia, no Rio de Janeiro, e no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, cada uma superando a marca de um milhão de brasileiros”, relembrou Albuquerque.

Acesse o site especial sobre os 30 anos das Diretas Já

Assista reportagem da TV Câmara sobre a sessão solene.

Capacidade de mobilização
O presidente da Casa, deputado Henrique Eduardo Alves, em pronunciamento encaminhado à solenidade, afirmou que a ocasião precisa ser lembrada, “pois demonstra que a grandeza da sociedade está na sua capacidade de mobilização em favor dos interesses nacionais”. “A partir dali o Brasil não seria mais o mesmo. A marcha rumo à redemocratização ganhava um impulso irrefreável e assumia um ritmo muito mais rápido do que gostariam os donos do poder”, sentenciou.

Mauro Benevides (PMDB-CE) declarou que a emenda Dante de Oliveira desencadeou o movimento que contrariava o projeto do presidente João Figueiredo de protelar o pleito direto para as eleições seguintes. “Mesmo passados 30 anos é difícil não se comover com as lembranças e imagens daquele magno evento”, disse Benevides. “Era um clima de emoção e de muita esperança. Esse movimento foi o mais marcante das nossas vidas”, afirmou Vicentinho (PT-SP).

De acordo com Roberto Freire (PPS-SP) a ocasião não é para rememorar e sim para “testemunhar”. “Éramos clandestinos em um País que começava a adquirir alguma liberdade. Em um desses comícios falei em nome do Partido Comunista Brasileiro sobre a luta pela liberdade. Ali foi decretado o fim do regime militar”, concluiu.

Homenagem à democracia
Para Vieira da Cunha (PDT-RS), lembrar as Diretas é homenagear a democracia. “é dizer às novas gerações que a mobilização popular é o caminho das transformações”, declarou.

O deputado Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP) disse que o movimento foi importante para a redemocratização do País, constituindo a “maior mobilização democrática de nossa história”. “Vestidos de verde e amarelo e com bandeiras nas mãos em quase todo o País, o povo saia às ruas para cobrar o direito de definir o seu futuro”, afirmou.

Na opinião de Paulo Foletto (PSB-ES) a campanha das Diretas Já “trouxe um espírito de renovação política”. “O País vivia sob a égide da ditadura militar e aquele momento foi fundamental para a redemocratização.

Conseguimos cinco anos depois a eleição de um presidente eleito pelo povo”, relatou o deputado. “Foi o movimento que marcou a trajetória da vida político-institucional dos últimos 30 anos. Foi um sentimento patriótico e cultural que reuniu a todos nós, impregnados de esperança, com o objetivo de vencer aquele período ditatorial”, afirmou Daniel Almeida (PCdoB-BA).

O deputado Andre Moura (PSC-SE) disse que o movimento surgiu do clamor popular “que ansiava por respeito às liberdades civis, aos direitos humanos e pelas garantias fundamentais”.

O parlamentar disse ainda que o Brasil vivia um momento de censura em que “o povo não tinha nem vez, nem voz”. “A grande lição de 1984 foi o significado claramente político, sintético e objetivo que teve o condão de mobilizar intensamente as massas daquela época. A história não é o que passou. Ela continua a nos revisitar e cobrar novas posturas”, declarou o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ).

Para Inocêncio Oliveira (PR-PE), depois das diretas as eleições se espelharam, em todos os níveis, os “legítimos representantes do povo”. “Depois daquele movimento o Brasil seria outro. Ele desaguou na Constituinte em 87/88”, concluiu.

Emenda Dante de Oliveira
No dia 25 de janeiro de 1984, 1,5 milhão de pessoas se reuniram em São Paulo em apoio ao movimento. Foi a maior manifestação popular pela democracia já vista no País.

No mesmo dia, faltaram 22 votos na Câmara para que a emenda Dante de Oliveira, que previa eleições diretas para presidente da República, fosse aprovada e o texto seguisse para o Senado. Não apareceram na votação 113 deputados – a esmagadora maioria do PDS, partido de apoio do regime militar.

Após a derrota da emenda, as eleições indiretas pelo Colégio Eleitoral consagraram o candidato da oposição, o civil Tancredo Neves em 1985. O candidato apoiado pelos militares, o atual deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), foi derrotado. Tancredo acabou não assumindo a Presidência, ele adoeceu e morreu sem tomar posse.

O vice de Tancredo, José Sarney, assumiu o cargo. Foi no seu governo que as eleições voltaram a ser diretas (período de transição democrática)

Reportagem - Wellington Brandão
Edição – Regina Céli Assumpção

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara Notícias'.