Cidades e transportes

Ineficiência do setor eleva tempo que navios de carga ficam parados, diz diretor

20/03/2013 - 21:18  

O diretor de Planejamento e Desenvolvimento de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Roberto Dantas, disse que a ineficiência logística brasileira contribui para elevar o tempo de atracação dos navios, impactando frontalmente com o custo total da operação.

“Em Santos, o tempo que o navio fica parado no porto, inoperante, aguardando a vez, representa 56% do tempo total da estadia”, informou Dantas. “No [carregamento de] milho, dos 18,7 dias que o navio fica no porto, em 16,3 dias ele fica parado, sem carregar ou descarregar”, exemplificou.

Durante a audiência da comissão mista que analisa a Medida Provisória 595/12 (MP dos Portos), o diretor-geral substituto da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Pedro Brito, chamou atenção para a necessidade de um planejamento público de longo prazo para o setor portuário.

“A ausência desse planejamento é um dos fatores que diferencia o Brasil de outros países”, observou Brito, que defende mais investimento no setor público.

Segundo o diretor da Antaq, em 2011, foram investidos no porto de Rotterdam R$ 1,1 bilhão, enquanto os recursos em Santos não passaram de R$ 35 milhões. O volume de carga movimentada no mesmo ano, segundo ele, também exemplifica a diferença: 434 milhões de toneladas em Rotterdam; e 97 milhões em Santos.

Demanda urgente
A senadora Kátia Abreu (PSD-TO), por outro lado, entende que a construção de mais portos privados atende uma demanda urgente de investimentos que não poderiam ser comportados somente pelo setor público. “Queremos é permitir que o porto privado possa acontecer para suprir a falta de investimentos em portos públicos”, disse.

Segundo a senadora, o custo para embarcar um contêiner em Rotterdam é de 3 dólares, enquanto em Santos é de 7 dólares. Ela disse ainda que, para fazer uma ampliação no Porto de Santos, construindo 4 km de cais, seriam necessários R$ 4 bilhões.

Para o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), que rebateu as críticas, parte dessa demora se deve à burocracia de órgãos como a Receita Federal e a Polícia Federal e também à falta de estrutura (silos) para estocagem nos arredores da área do porto. “Essa deficiência sim faz com que os caminhões venham todos de uma vez, formem fila e atrasem o processo de carga e descarga, principalmente na época da safra”, disse Silva.

O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) também considerou inaceitável o fato de as operações nos portos funcionarem 24 horas por dia e os serviços aduaneiros operarem “com um horário burocrático”.

Reportagem – Murilo Souza
Edição – Pierre Triboli

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