Direitos Humanos

Participação na política ainda privilegia homens

Dos atuais 513 deputados, apenas 42 são mulheres. Já no Senado, dos 81 senadores, apenas 8 são mulheres.

08/03/2013 - 10:44  

A luta das mulheres para participar da vida política do Brasil - que em 2011, ganhou fôlego com a eleição da presidente Dilma Rousseff – começou a dar resultados na década de 1930. Em 1932, elas conquistaram o direito ao voto. Em seguida, a brasileira Carlota Pereira de Queirós foi eleita a primeira deputada federal da América Latina.

Entre 1932 e 1963, apenas quatro mulheres foram eleitas deputadas federais. Além de Carlota, destaque nesse período para Bertha Lutz que apresentou, em 1937, uma proposta de Estatuto da Mulher, dividido nas áreas política, econômica, cultural, civil e penal. A proposta chegou a ser aprovada em comissão, mas o fechamento do Congresso Nacional e o início do Estado Novo impediram a continuidade dos debates.

No Senado, em 1979 uma mulher ocupou o cargo de senadora: Eunice Michilles. Ela era suplente e assumiu o cargo após a morte do titular. Só dez anos mais tarde, em 1989, uma mulher seria eleita para o Senado: Júnia Marise.

Lobby do batom
Dois anos antes, a bancada feminina da Assembleia Constituinte de 87 - apelidado de "lobby do batom" - participou intensamente da vida política brasileira.

Em março de 1987, uma sessão da Constituinte recebeu a Carta das Mulheres, organizada pelos movimentos feministas, que defendia justiça social, criação do Sistema Único de Saúde, reforma agrária, e questões específicas aos direitos das mulheres como temas relacionados a trabalho, educação e combate à violência.

"Neste momento, é importante que os senhores constituintes tenham em conta que nós somos as legítimas representantes daquelas que estão no anonimato hoje, mas que contribuíram para que os senhores pudessem estar aqui sentados nessas cadeiras", disse à época a deputada Benedita da Silva.

"A nossa luta não tem contraposição. Nós não somos o outro lado da moeda, nós somos as companheiras do dia a dia", acrescentou a então deputada Rose de Freitas.

Arquivo/ Renato Araújo
Rose de Freitas
Rose de Freitas preside sessão no Plenário da Câmara.

Mesa Diretora
Mais de 20 anos depois, a própria Rose de Freitas seria a primeira mulher a assumir um cargo de titular na Mesa Diretora da Câmara Ela foi vice-presidente da Casa em 2011 e 2012. "No início foi terrível, em muitos dias eu chorei. Chorei porque a linguagem que nós queríamos falar não era uma linguagem só de marcar posição, era uma linguagem da igualdade."

Rose de Freitas foi a primeira e, por enquanto, a única mulher a ocupar um cargo titular na direção da Câmara. Para esses próximos dois anos, apenas homens foram eleitos.

Eleições 2012
O Brasil ocupa um dos piores lugares no ranking da participação feminina na política. Segundo a União InterParlamentar (organização que reúne parlamentos de todo o mundo), de um total de 190 países, o Brasil ocupa a 119º posição, com apenas 45 mulheres eleitas para a Câmara dos Deputados em 2010, menos de 10% dos 513 deputados. Para se ter uma ideia, a Argentina está em 18º, com 37% de mulheres eleitas para a Câmara. De toda a América Latina, estamos à frente apenas do Panamá e do Haiti.

Segundo a deputada Luiza Erundina (PSB-SP), a presença de mais mulheres nos espaços de decisão é fundamental porque questões específicas ao gênero feminino acabam negligenciadas. "Enquanto não houver uma presença feminina para, com seu olhar, que é próprio de mais da metade da população brasileira, que no caso somos nós, mulheres, essas questões vão passando ao largo.”

Reportagem - Paula Bittar / TV Câmara
Edição – Natalia Doederlein

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