Relações exteriores

Missão deve continuar até pelo menos 2016

07/12/2012 - 11:23  

Integrantes da missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Haiti – a Minustah – voltaram a afirmar nesta quinta-feira (6) que ainda não há condições para que as tropas internacionais se retirem do Haiti antes de 2016. Coordenadores da missão disseram que o país caribenho ainda vive uma situação de violência, decorrente tanto dos conflitos políticos como da miséria e também da atuação de gangues.

“O plano inicial é estar até 2016, mas imagino que após isso deverá haver uma continuidade do apoio à formação policial”, avaliou o vice-representante do secretário-geral da ONU no Haiti, Nigel Fisher. Em reunião com os deputados Perpétua Almeida (PCdoB-AC), Jô Moraes (PCdoB-MG) e Gonzaga Patriota (PSB-PE), Fisher explicou que, no nível de governo, a Minustah é bem aceita e os militares brasileiros contam com a simpatia da população. Por outro lado, há grupos interessados na recuperação total da autonomia haitiana.

Ocorre que o país perdeu recentemente 70% de suas plantações em decorrência de uma forte seca neste ano. A insegurança alimentar leva a um aumento do custo de vida e a protestos nas ruas. “A criminalidade, que vinha sendo reduzida, também teve um aumento nos últimos cinco meses. Atores políticos que haviam abandonado o uso da violência estão retomando. Porto Príncipe concentra 70% da violência do país”, disse o assessor de Fisher, Flavio Pelegio.

O assessor destacou que o contingente da polícia nacional ainda está muito abaixo das demandas da população. Hoje, o Haiti conta com 10 mil policiais para uma população de 10 milhões de habitantes. O mínimo deveria ser 20 mil, mas a ONU trabalha com a possibilidade de aumentar o número para 15 mil até 2016. “É uma meta de mil por ano. Mas já em 2012, o crescimento será de apenas 248”, disse Pelegio. Ele afirmou ainda que a força da Minustah evita a piora da situação.

Educação
Entre as conquistas do País após a instalação da Minustah, em 2004, Nigel Fisher, citou o percentual de 77% de crianças com idade entre 6 e 11 anos frequentando a escola. Entre 2005 e 2006, esse índice era menor que 50%.

Reportagem – Noéli Nobre, enviada especial ao Haiti
Edição – Marcelo Westphalem

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