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Divergência sobre propaganda de bebida alcoólica adia votação do parecer sobre drogas

05/12/2012 - 21:19  

Sérgio Almeida
Dep. Givaldo Carimbão (relator)
Carimbão propôs que rótulos de bebidas expliquem os danos causados pelo consumo de álcool.

O relator da proposta que altera a Lei Nacional Antidrogas (PL 7663/10 e outros), deputado Givaldo Carimbão (PSB-AL), voltou a defender nesta quarta-feira (5) o fim da propaganda de bebidas alcoólicas. Já o autor do projeto, deputado Osmar Terra (PMDB-RS), disse que é melhor retirar do relatório a questão da publicidade de bebidas alcoólicas para facilitar a aprovação da proposta.

Com a divergência, a Comissão Especial do Sistema Nacional de Políticas sobre Drogas adiou para a próxima quarta-feira (12) a votação do parecer final, apresentado na semana passada pelo deputado Givaldo Carimbão.

O relator também propôs que os rótulos dessas bebidas expliquem os danos em potencial causados pelo consumo de álcool. Carimbão enfatizou que a dependência química em relação às drogas ilícitas começa na ingestão de bebidas alcoólicas. "Toda porta de entrada das drogas é na bebida. Nós sabemos que a porta de entrada do crack é a bebida. Em Alagoas, são 1.200 dependentes de crack acolhidos em uma rede. Desses, 1.180 começaram com a bebida."

Veja debate da TV Câmara entre os deputados Givaldo Carimbão e Osmar Terra sobre políticas de combate às drogas.

Projeto sobre consumo de álcool
Já para o deputado Osmar Terra, deve ser apresentado um projeto de lei específico sobre o álcool. “Se juntarmos as duas [discussões], nós vamos juntar uma série de outras resistências, que não é só da mídia, é a de quem produz e trabalha nessa área. O álcool, como outros tipos de atividade econômica, tem toda a sua estrutura. Eu não sou a favor do álcool, só acho que, se juntarmos as duas coisas, vamos deixar de aprovar o projeto mais avançado da história do Brasil sobre as drogas ilícitas."

A deputada Rosane Ferreira (PV-PR) ressaltou que já existem mais de 400 projetos de lei na Câmara sobre o consumo de álcool. Por isso, para a deputada, a comissão deve priorizar o crack. "O álcool é um problema, sim. É porta de entrada, mas, hoje, o nosso inimigo número um chama-se crack. Nós não podemos perder esse foco", disse Rosana.

Entretanto, na opinião do deputado Aureo (PRTB-RJ), é tarefa da comissão resolver o que considera um grave problema da sociedade brasileira. "O álcool é o grande vilão. Antes de existir essa droga que está acabando com as famílias brasileiras, o crack, já existia o álcool. E o álcool, na estatística, sempre foi um grande problema da sociedade brasileira", disse o deputado.

Da Rádio Câmara
Edição – Regina Céli Assumpção

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