Direitos Humanos

Debatedores querem políticas para combater ataque a terreiros

29/11/2012 - 20:51  

Lúcio Bernardo Jr.
Seminário: “Em defesa da ancestralidade africana no Brasil” - Mãe Lúcia de Oya, dep. Amauri Teixeira (Núcleo de Parlamentares Negro do PT), Silvany Euclênio Silva (Secretaria de Políticas para Comunidades Tradicionais/PR), Paulo Cesar de Oliveira (sacerdote da Tradição Yorubá) e dep. Edson Santos (PT-RJ)
Em julho deste ano nove casas de matriz africana foram depredadas em Pernambuco.

Discutir formas de acabar com a discriminação e ataques contra os terreiros tradicionais de matriz africana foi tema de seminário realizado nesta quinta-feira na Câmara.

A presidente da Frente Parlamentar em Defesa dos Povos Tradicionais de Terreiro, deputada Erika Kokay (PT-DF), destacou que eventos como esse são importantes para dar visibilidade aos terreiros e à realidade daqueles que seguem religiões africanas.

Em julho deste ano nove casas de matriz africana foram depredadas em Pernambuco. Segundo Mãe Lúcia de Oxum, yalorixá do Centro de Cultura Afro-Brasileiro Ilê Axé Omidewá, em João Pessoa, na Paraíba, os ataques são constantes e ocorrem em todo o País.

Assédio religioso
Ela classificou como assédio religioso os ataques sofridos diariamente pelos terreiros. Lúcia de Oxum pede mais rigor da Justiça para punir os envolvidos. "O máximo que eles entendem é como crime de injúria; e o crime de injúria não dá em nada."

Erika Kokay destacou que a frente vai realizar reuniões com os agentes de direito para que eles possam conhecer a realidade dos terreiros e proteger seus frequentadores. "É preciso que nós trabalhemos no processo de desconstrução de uma intolerância que invade os poderes públicos e que invade o próprio Estado e que faz com que as comunidades de terreiro não possam viver com a dignidade que o País deve a essas comunidades."

A secretária de políticas para comunidades tradicionais, da Secretaria de Promoção de Políticas para Igualdade Racial da Presidência da República, Silvanir Silva, afirmou que o enfrentamento do racismo passa necessariamente pela valorização das tradições africanas e das casas que representam a cultura africana no Brasil. "Nós também estamos muito preocupados em como promover um processo de valorização dessa cultura, dessa tradição, de maneira a desfazer estereótipos que motivam tamanha violência."

Mapeamento
Silvanir informou que no próximo ano o governo vai fazer um levantamento socioeconômico para mapear quantas são e onde estão as casas de tradição de matriz africana em todo o País. A partir daí, o Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos Tradicionais de Matrizes Africanas começará a ser implementado.

Reportagem - Karla Alessandra
Edição – Regina Céli Assumpção

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