Lula diz que meta é promover os interesses nacionais

20/10/2003 - 19:34  

Em discurso no seminário sobre a Alca, encerrado há pouco, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que as negociações do novo bloco devem preservar e promover os interesses nacionais. Para ele, essa é uma oportunidade única para o Brasil definir que tipo de país quer ser, e que agricultura e indústria quer desenvolver. “Chegou a nossa vez de dizer o que somos, quem somos e o que queremos”.
Lula lembrou que os países menos ricos descobriram no México, durante a reunião da Organização Mundial do Comércio, que deveriam se unir para conseguir que os mais ricos “nos permitissem continuar sonhando em nos transformar em nações desenvolvidas”.
Na ocasião, segundo o presidente, o Brasil também reafirmou a importância da economia européia e de outros países para suas relações comerciais. “Não queremos a política da confrontação pela confrontação, para satisfazer interesses ideológicos”, afirmou Lula.

DIFERENÇAS ECONÔMICAS
Para o presidente, o acordo da Alca deve levar em conta as diferenças das economias dos diversos países integrantes do bloco. Ele lembrou que, na formação da União Européia, os países mais ricos tiveram essa sensibilidade em relação a nações menos desenvolvidas como Grécia, Espanha e Portugal. Só dessa forma, segundo Lula, os países poderão competir em condições mínimas de igualdade.
Ainda para o presidente, os brasileiros têm a aprender com os Estados Unidos a lição de “não termos vergonha de ser o que somos”. Para ele, a negociação da Alca deve ser aproveitada pelo Brasil para garantir que, entre a vontade dos mais ricos e a dos mais pobres, prevaleça o caminho do meio, “onde ninguém leva tudo, mas todos levam um pouco”.
Ele espera que, com a ajuda do Congresso, o Brasil consiga fazer “a mais profícua negociação” de sua história. “Não vamos fugir da mesa de negociações, vamos negociar de cabeça erguida”, disse, lembrando que o País não está pedindo favores, mas apenas reivindicando o seu direito de dar um salto de qualidade na economia.

INTERESSES SEMELHANTES
Lula anunciou que o Governo fará muitas reuniões com os países que têm interesses semelhantes. “O Brasil estará de coração aberto para fazer o melhor acordo do mundo, mas alerta para não aceitar que imposições e intrigas nos façam negociar em condições desfavoráveis”, avisou.
Ao concluir, o presidente disse que o acordo que vier a ser feito pelo Brasil na Alca não será obra de uma pessoa só, mas resultado de um debate maduro iniciado hoje pelo Congresso, e do qual ele está certo que a sociedade participará ativamente.

O seminário "O Papel dos Legisladores na Alca - Encontro Parlamentar sobre a Área de Livre Comércio das Américas” prossegue amanhã no auditório Nereu Ramos.

Da Redação/RO

(Reprodução autorizada mediante citação da Agência)

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