Política e Administração Pública

Participantes demonstram interesse pela carreira política

28/09/2012 - 14:29  

Alexandra Martins
Girlane Oliveira
Girlaine não descarta a hipótese de um dia ser deputada para lutar por mais inclusão social.

Após ver aprovado o projeto de lei de sua autoria que responsabiliza o Poder Público pela produção de material didático em braile para alunos do ensino fundamental e médio, a deficiente visual e deputada jovem Girlaine de Oliveira, de Recife (PE), comemorou, emocionada, o que chamou de uma conquista em termos de acessibilidade. “Lembro-me da dificuldade que eu própria tive quando quis ler um livro de Machado de Assis e não o encontrei em braile”, disse.

Segundo Girlaine, a participação no evento que simula o trabalho de deputados federais foi fundamental para mudar a percepção que ela tinha do Parlamento. “Percebi que a imprensa mostra mais o lado negativo da coisa, não revela o trabalho e o quanto eles [deputados] têm que se dedicar e o quanto é corrida a sua rotina”, completou Girlaine, que não descarta a possibilidade de, no futuro, tornar-se deputada para poder lutar, na prática, por mais inclusão social no País.

Participação ativa
Representante de Alagoas, o jovem deputado Rodolfo Barros afirmou que a autuação como parlamentar por uma semana serviu para ele alimentar o sonho de um dia participar mais ativamente da política. “Sempre fui muito crítico, mas sempre tive uma imagem muito boa do processo legislativo. Eu tenho, sim, essa vontade de participar da politica, primeiro na minha cidade e, depois, quem sabe, atuando nacionalmente”, declarou Barros. Ele é autor do projeto que incentiva a separação de resíduos sólidos nas residências e valoriza o papel dos catadores de lixo como agentes de transformação da realidade social e ambiental do País.

Eleito presidente do Parlamento Jovem 2012, o estudante Jonathan Juvêncio de Souza, de Pernambuco, ressaltou que os participantes tiveram a oportunidade de se informar e apurar o senso crítico. “Chegamos aqui sem saber exatamente o que iríamos fazer e, hoje, saímos com uma visão mais clara da politica, da democracia e mesmo do mundo”, declarou Costa, que admitiu ter mudado de opinião quanto às próprias aspirações políticas. “Não tinha pensado em seguir carreira, mas, após tudo o que vivi aqui, passei a pensar melhor”, completou o estudante, que vê os políticos como gestores do País.

Representatividade
Autora da proposta que prioriza a capacitação de profissionais de saúde para reduzir o tempo de espera por atendimento emergencial em postos e hospitais, a jovem parlamentar Julie Belo da Silva, de Queimados (RJ), disse que a atuação como deputada serviu para que ela compreendesse melhor sobre a representatividade. “Muitas vezes, a gente se pergunta por que determinado texto não foi aprovado e não buscamos saber se existem alternativas que vão favorecer um número maior de pessoas”, comentou Julie, ao revelar que já participa de atividades políticas onde reside. “Como tenho 16 anos, já sou filiada a um partido e também pretendo, talvez, chegar um dia a ser até deputada federal. Quem sabe?”, completou.

Mudança de imagem
Já o estudante Mateus Moreira, de Mogi das Cruzes (SP), autor do projeto que impõe critérios de desempenho escolar para que jovens continuem recebendo o Bolsa Família, declarou-se fascinado pela política, porém declarou que tem outros planos para o futuro. O aluno relatou que o Parlamento Jovem melhorou a imagem que ele tinha da atuação dos deputados. “Já tinha a mentalidade de que existem bons políticos, mas isso ainda não estava muito claro porque ficava sempre aquela coisa de que o Brasil é corrupto. Mentira! O País tem problemas sim, porém descobri o que um deputado faz de verdade, que ele não senta na cadeira e fica vendo o tempo passar”, salientou .

Um dos coordenadores da edição deste ano do Parlamento Jovem, Antônio Carlos Mendes, afirmou que a iniciativa oferece aos estudantes um momento para refletirem sobre as próprias vidas e buscarem um novo ideal para a sociedade, em benefício do próximo.

Para tramitarem efetivamente na Câmara, os textos aprovados pelo Parlamento Jovem precisam ser encampados por algum deputado e apresentados em seu nome.

Reportagem – Murilo Souza
Edição – Marcelo Oliveira

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