Política e Administração Pública

Presidente da Petrobras reafirma que prejuízo foi causado pelo câmbio

19/09/2012 - 13:08  

Lúcio Bernardo Jr
Maria das Graças Foster (presidente da Petrobrás)
Graça Foster: produção de petróleo para gerar receita e investimentos é uma das prioridades da estatal.

A presidente da Petrobras, Graça Foster, reafirmou nesta quarta-feira (19), na Câmara, que o primeiro resultado negativo da empresa em 13 anos (prejuízo de R$ 1,3 bilhão entre abril e junho) tem como motivo principal o câmbio.

"A maior parte (74%) da divida da Petrobras é em dólar. Toda a nossa atividade, em algum momento da cadeia, é atrelada ao câmbio. Quando você tem um investimento muito grande, fazemos captação em mercado naquilo que dá o maior conforto econômico-financeiro à Petrobras. Quando tivemos a depreciação do real, nossa dívida cresceu, tivemos um resultado financeiro menor do que o trimestre anterior em R$ 7 bilhões. Essa foi a principal justificativa", disse.

Graça Foster foi convidada pela Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara para falar dos planos de negócios da empresa e o adiamento do início da operação do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, em construção em Itaboraí, no Rio de Janeiro, e das duas refinarias previstas para o Maranhão e o Ceará.

Outro tema abordado foi o mercado de combustíveis. Sobre isso, ela destacou que o consumo de gasolina no Brasil aumentou 49% em dez anos, enquanto no mundo aumentou 15%. No consumo de diesel, o aumento foi de 43% enquanto a média mundial foi de 29%, daí a necessidade de investimentos, que até 2016 devem atingir 131 bilhões de dólares. Em 2012, os investimentos serão de R$ 87,5 bilhões.

Ela informou que a prioridade de investimentos da Petrobras é, pela ordem: produção de petróleo para fazer receita para os investimentos, produção de gás e energia e construção de refinarias. E só depois a petroquímica e a área internacional.

"Precisamos fazer um desinvestimento de 14,8 bilhões de dólares em cinco anos no exterior. Não há uma data, mas é necessário, principalmente em ativos de exploração e produção no exterior. A prioridade da companhia é a producão de petroleo, de onde vem a receita para as refinarias de que precisamos para diminuir a volatilidade no mercado internacional", afirmou.

A segunda justificativa para o prejuízo foi a queda na exportação de petróleo. Além disso, houve a baixa de 41 poços secos no segundo trimestre de 2012.

Cronograma
Graça Foster destacou também que os investimentos previstos no plano de negócios da empresa para o trem da Comperj não sofrerão atrasos. A entrada em funcionamento do trem do Comperj está prevista para abril de 2015.

"Se não construirmos o trem 2 do Comperj, a refinaria do Ceará e os dois trens do Maranhão, ficaremos com demandas de importação de 1 milhão de barris de derivados por dia, considerado um crescimento de mercado de 4,9%", declarou.

* Matéria atualizada às 16h59.

Reportagem – Luiz Cláudio Canuto/Rádio Câmara
Edição - Wilson Silveira

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