Segurança

Deputado quer mais investimentos nos projetos de defesa nacional

15/02/2012 - 17:10  

Larissa Ponce
Dep. Arnaldo Jardim (PPS-SP) - Painel 2 – Desenvolvimento Tecnológico para a Indústria de Defesa
Jardim: o setor de Defesa é estratégico e deve ser prioritário para o País.

O deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP) afirmou nesta quarta-feira (15) que é necessário garantir recursos de forma contínua para os projetos de defesa nacional. Durante debate do Seminário Estratégia Nacional de Defesa, promovido na Câmara, o deputado disse que o setor é estratégico e deve ser prioritário para o País.

“Estamos diante de uma oportunidade histórica de afirmação da soberania nacional, que se dá também pela afirmação da capacidade de produzir o conhecimento”, disse o deputado, em relação ao desenvolvimento da indústria nacional de defesa.

MP aprovada
Na opinião do diretor de Desenvolvimento de Negócios na Odebrecht Engenharia Industrial, Manoel Antonio Nogueira, a aprovação da MP 544/11 no plenário da Câmara foi o passo inicial para a reestruturação da defesa nacional.

Assim como Jardim, Nogueira destacou a importância de formar pessoal e manter os investimentos no setor, que se baseia em projetos de longo prazo. “O desenvolvimento tecnológico é fundamental para o desenvolvimento industrial. Ele gera soberania e desenvolvimento nacional”, disse.

Empregos
Para o vice-presidente-executivo para o mercado de defesa da Embraer, Luiz Carlos Aguiar, a capacidade de o Brasil fabricar produtos de defesa – como o avião KC-390, da própria Embraer – ditará os rumos do País no mercado externo. Ele lembrou que os investimentos na área de tecnologia se traduzem em empregos altamente qualificados e bem remunerados.

Conforme dados apresentados pelo presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde), Orlando José Ferreira Neto, a indústria de defesa gera hoje no País 150 mil empregos. A aprovação da MP 544/11 e sua posterior transformação em lei pode aumentar esse número para 300 mil e também possibilitar ganhos não só no mercado interno, mas também no externo.

“Todos queremos transformar a indústria de hoje, que é de 3,5 bilhões de dólares, em uma indústria de quase 12 bilhões de dólares. Mas para isso temos o desafio de assegurar a sustentabilidade do mercado interno e de garantir orçamento público, além de enfrentar o gargalo dos recursos humanos”, disse.

Financiamento

Larissa Ponce
Glauco Arbix (presidente da FINEP) - Painel 2 – Desenvolvimento Tecnológico para a Indústria de Defesa
Arbix: o PAC pode ser fonte de arrecadação para projetos estruturantes.

No seminário, o presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Glauco Arbix, destacou que, atualmente, 70% dos investimentos da instituição dizem respeito a áreas prioritárias do Plano Brasil Maior, que prevê ações de política industrial, tecnológica e de comércio exterior. Em 2011, a financiadora contratou R$ 2,9 bilhões, valor 74,5% maior que o de 2010, somente em crédito para as empresas e a indústria de defesa.

Na avaliação de Arbix, são necessárias outras fontes de arrecadação para projetos estruturantes, como o Sistema de Monitoramento das Fronteiras (Sisfron) ou o satélite geoestacionário. A estimativa de custos do Sisfron, por exemplo, é de R$ 11,9 bilhões para um período de dez anos.

Arbix disse que uma das fontes de arrecadação poderia ser o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “Temos que trabalhar para ter, dentro do Orçamento, um pedaço para as prioridades de governo na defesa nacional. Caso contrário, não vamos andar", defendeu.

A Finep é uma empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Reportagem – Noéli Nobre
Edição – Marcelo Westphalem

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