Política e Administração Pública

Trabalho político definiu eleição de Ana Arraes, dizem deputados

21/09/2011 - 15:40  

A eleição da deputada Ana Arraes (PSB-PE) para o Tribunal de Contas da União (TCU) foi fruto de uma articulação política bem estruturada, que começou ainda no final do primeiro semestre e envolveu toda a bancada pernambucana, na Câmara e no Senado, e o governador do estado, Eduardo Campos (PSB), filho da deputada. Isso é o que contam deputados que acompanharam a eleição, nesta quarta-feira.

“O que pesou mais nessa eleição foi o trabalho em grupo. O grupo que se formou em torno da Ana [Arraes] se mostrou mais aguerrido”, disse o deputado Vilson Covatti (PP-RS). Covatti acompanhou de perto todo o processo. Ele tentou disputar a vaga para o tribunal, mas desistiu na última hora para evitar, segundo afirmou, uma fragmentação do partido, mais aberto à candidatura da deputada.

Para Covatti, desde o início o nome da deputada mostrou “aderência”, ou seja, potencial para chegar ao final da disputa. Pesou para isso, segundo ele, a fragmentação da base aliada ao governo, que não se uniu em torno de um nome. Sem um candidato de consenso, a articulação definiu o vencedor. A mesma opinião foi expressada pelo deputado Danilo Forte (PMDB-CE).

Para ele, o trabalho feito pela deputada e seus apoiadores acabou deixando para segundo plano um tema que poderia ter pesado na disputa: a questão do equilíbrio federativo na composição do TCU. Dos oito ministros atuais da corte, dois já são pernambucanos (José Jorge e José Múcio Monteiro). Um terceiro nome poderia encontrar resistência entre os parlamentares. Havia até a expectativa de que essa questão trouxesse apoio para o deputado Átila Lins (PMDB-AM), uma vez que a Região Norte não possui nenhum ministro no TCU. “A questão federativa é importante, mas não foi exaltada na Casa”, disse Forte.

Voto útil
Para os deputados, o voto útil também pesou em favor de Ana Arraes. Na reta final, a força dela acabou arrebanhando mais votos. Uma prova disso estaria no resultado: quando o dia começou, Ana Arraes contabilizava ganhar com 170 a 180 votos, mas no final levou 222. “Deputado não é diferente de qualquer eleitor. Ele gosta de ganhar a eleição”, diagnosticou Covatti. O deputado João Dado (PDT-SP) tem a mesma impressão sobre o voto útil. Ele ressaltou ainda a polarização da eleição, motivada pela “articulação da deputada pernambucana e pelo histórico do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP)”.

A polarização também foi mencionada por outros parlamentares. Apesar de o número de candidatos ter sido grande (6), no final a disputa resumiu-se a Ana Arraes e Aldo Rebelo. O líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), chegou a dizer que a eleição deste ano era “suprapartidária”, ou seja, os candidatos estavam conseguindo votos fora das suas legendas de origem. Esse fato levou-o a pedir em Plenário a unidade do PMDB em torno de Átila Lins. No final, Lins teve menos votos do que o tamanho da bancada do partido (47 contra 80, respectivamente), provando a tese de Alves.

Primeira mulher indicada pela Câmara
A deputada Ana Arraes reconheceu que a costura política levou à sua vitória. O deputado licenciado e atual secretário de governo de Pernambuco, Maurício Rands, veio a Brasília somente para acompanhar a votação no Plenário. Ele conversou com os deputados e comemorou a vitória junto com outros parlamentares do estado. “Fizemos uma grande corrente”, disse Ana Arraes. Ela negou, porém, que os seus apoiadores tenham atuado como um “rolo compressor”. “Não houve isso. Andei a pé até aqui. Respeitei todos os candidatos e defendi as minhas propostas”, disse.

A deputada destacou o fato de se tornar a primeira mulher indicada pela Câmara a assumir o cargo de ministro do TCU. Pelas regras da Constituição e do Decreto Legislativo 6/93, a indicação da Câmara deverá ser confirmada pelo Senado. Depois, a presidente Dilma Rousseff deverá assinar um decreto nomeando a nova ministra do TCU.

Reportagem – Janary Júnior
Edição – Mariana Monteiro

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