Contaminação na Vila Carioca pela Shell é debatida

11/06/2002 - 18:55  

A Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias debateu hoje, em audiência pública, a contaminação do solo e do lençol freático da Vila Carioca, bairro de São Paulo.
A contaminação por metais pesados, como chumbo, e substâncias tóxicas como pesticidas, organoclorados e organofosforados foi identificada em 1993, a partir de denúncia do Sindicato dos Trabalhadores no Comércio e Derivados de Petróleo de São Paulo (Sinpetrol). O problema foi causado pelo enterro de resíduos dos tanques de combustível - as chamadas borras - da Shell, existentes na região, e de sucatas dos próprios tanques.
Por intermédio de seu diretor de Instalações e Operações, José Cardoso Teti, a Shell assegurou não haver riscos para a população, nem na água, nem no solo, em razão de os índices de contaminação serem baixos - conforme indicaram análises encomendadas pela empresa - e da retirada das borras promovida pela Shell.

OBRA ANTIGA
O representante da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental de São Paulo (Cetesb), João Antônio Romano, lembra que os testes feitos pela Shell foram exigidos pelo órgão, que, em 1999, constatou que a contaminação extrapolava a área da empresa, razão pela qual a Shell foi autuada e multada.
Romano afirma que a instalação de tanques da Shell foi uma obra sem licenciamento ambiental, uma vez que foi realizada nos anos 40, antes da criação da lei que exigia a licença, que é de 1976. Ele admitiu que o risco para a população é "reduzido", mas ressalvou que aguardará o resultado das análises da água que abastece as residências da Vila Carioca para firmar convicção.
O diretor técnico da Vigilância Sanitária, Rui Andrade, concorda com Romano e chama a atenção para a necessidade de análises técnicas - cujos resultados serão divulgados no dia 14, sexta-feira - e médicas, antes de dar uma resposta definitiva sobre o grau de contaminação.

DENÚNCIAS
Já o representante dos moradores, Aristides Fernandez, acusa a empresa de não atender às suas reivindicações. Os moradores pleiteiam que os caminhões da Shell respeitem a lei do silêncio e trafeguem apenas nos horários permitidos, e que a empresa instale filtros para reduzir o cheiro de combustível no ar.
O diretor do Sinpetrol, César Pereira, propôs a instalação de uma CPI para averiguar os crimes ambientais cometidos pela empresa no Brasil. Ele lembra que a Shell é reincidente nesse procedimento, citando o caso de contaminação que atingiu o Recanto dos Pássaros, em Paulínia (SP), e os US$ 15 bilhões de multa pagos pela Exxon, multinacional a que pertence a empresa, por poluição causada no Alasca. Ao concluir, Pereira acusou o Ministério do Meio Ambiente de não cobrar as multas que foram aplicadas pela Cetesb à Shell no caso Vila Carioca.

Por Christian Morais/DA

(Reprodução autorizada mediante citação da Agência)

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