Política e Administração Pública

Parlamentares destacam espírito conciliador de Tancredo Neves

03/03/2010 - 20:09  

Janine Moraes
Antes da sessão, parlamentares assistiram a um documentário sobre a vida de Tancredo Neves.

Em sessão solene do Congresso Nacional realizada nesta quarta-feira para celebrar o centenário de nascimento de Tancredo Neves, deputados, senadores, governadores e familiares lembraram a trajetória política do mineiro de São João del-Rei, em especial a sua participação no turbulento período que marcou o fim da ditadura militar (1964-1985) e o processo de redemocratização do País.

O presidente da Câmara, Michel Temer, ressaltou que a consolidação da democracia no Brasil se deve ao exemplo de Tancredo Neves. "Há pessoas que existem e passam e outras que ficam, como Tancredo Neves", disse. Temer citou o que considera ser uma frase símbolo de Tancredo: "Não vamos nos dispersar". Segundo ele, isso resume a essência da ideia de conciliação e do espírito agregador do ex-presidente.

O 1º secretário da Câmara, deputado Rafael Guerra (PSDB-MG), autor do requerimento para realização da homenagem, também ressaltou a contribuição do político mineiro para a reconstrução do regime democrático.

Tancredo, lembrou Rafael Guerra, dizia que a crença de que o radicalismo ideológico é a única forma de promover mudanças em países como o Brasil só pode ser aceita por pessoas politicamente retardadas. "Para Tancredo, o radicalismo suscita ódio e inspira violência; é eficiente na destruição, mas impotente na construção e incapaz de levar a efeito uma obra política estável", destacou.

Bom acordo
O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, neto de Tancredo, destacou que o seu avô sempre ensinou que é preferível um bom acordo à derrota do adversário. "Na vida pública, podemos transigir na estratégia, mas nunca podemos abrir mão dos princípios. Essa é a grande lição de Tancredo Neves", avaliou. O governador de São Paulo, José Serra, também participou da homenagem.

Segundo o líder do PSDB, deputado João Almeida (BA), "Tancredo não apenas testemunhou os acontecimentos que marcaram o processo político brasileiro, mas neles enredou-se, até se tornar um homem público de dimensões grandiosas e históricas."

Para Almeida, o estadista ensinou que a vida em liberdade implica a legitimidade do outro, a valorização da opinião e o diálogo. "Neste ambiente, a atividade política não é uma luta entre indivíduos ou partidos que se confrontam, mas um espaço de iguais, onde se articula e negocia os superiores interesses do povo", disse.

Para o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), a homenagem "foi sem dúvida uma das mais bonitas, mais emocionantes e mais justas da história do Congresso Nacional".

Reportagem - Oscar Telles
Edição - Maria Clarice Dias
Com informações da Agência Senado

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