Números do Brasil são bem recebidos na COP 15, diz embaixador

18/11/2009 - 15:41  

O embaixador Sérgio Serra, responsável no Ministério das Relações Exteriores pelo tema da mudança do clima, afirmou, nesta quarta-feira, que os números apresentados pelo Brasil estão sendo muito bem recebidos nas reuniões preparatórias para a Conferência do Clima (COP 15) de Copenhague, na Dinamarca, prevista para ser realizada no mês que vem pela Organização das Nações Unidas (ONU). Serra participou da comissão geral da Câmara que discutiu a proposta brasileira que será levada ao evento.

Para o embaixador, a posição brasileira no evento ganhou força com a decisão do governo de reduzir "voluntariamente" entre 36,1% e 38,9% das emissões brasileiras de gases de efeito estufa. Essa meta foi anunciada após a aprovação, pela Câmara, da Política Nacional sobre Mudança do Clima.

Sérgio Serra também ressaltou que será criado um fundo para desenvolver ações de combate ao aquecimento global. "Um passo muito importante para essas ações foi tomado por essa Casa, ao aprovar a política nacional e o fundo para o clima. Estamos fazendo nosso dever", disse.

O embaixador lembrou, no entanto, que a reunião de Copenhague poderá terminar sem uma conclusão em termos de metas e ações para a redução de emissões. Ele disse que isso ocorreria, principalmente, por causa de um impasse no Congresso norte-americano, onde o presidente Barack Obama está tendo problemas para aprovar uma legislação semelhante à brasileira, embora mais complexa.

Apoio da CNI
Também no evento, o diretor-executivo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), José Augusto Coelho Fernandes, afirmou que a indústria brasileira apoia a política nacional sobre clima e estará engajada no debate sobre a redução de emissões. Segundo ele, o Brasil tem condições inigualáveis de priorizar ações de menor custo.

Fernandes afirmou que o combate ao desmatamento deve ser a prioridade no País, já que se trata da principal fonte de emissões de gases no Brasil. Ele alertou também sobre a possibilidade da imposição de barreiras comerciais baseadas em ações contra o clima, que podem prejudicar o setor. "Devemos evitar medidas desvinculadas do conhecimento especializado", disse.

O diretor da CNI afirmou, ainda, que é necessário um diálogo com o setor empresarial sobre as medidas a serem implementadas, para que não haja impacto sobre o crescimento econômico.

Uso de carvão
Já O gerente de projetos de carbono do Grupo Plantar, Fábio Marques, defendeu o aumento do uso de carvão de florestas plantadas na indústria siderúrgica nacional. Segundo ele, é inviável substituir toda a produção de aço com carvão mineral por florestas sustentáveis, mas é possível substituir o carvão de vegetação nativa, e aumentar a participação dessa matriz energética, de forma a tornar mais "limpa" a indústria nacional.

Hoje, segundo Marques, 70% da produção vem de carvão mineral e 15% de carvão feito a partir de matas nativas. Mas o "aço verde" e a redução de emissões nos altos fornos está na agenda da indústria. Marques citou o exemplo do pacto feito em Minas Gerais, responsável por 50% da produção siderúrgica brasileira, para aumentar o uso de carvão renovável.

Ciência e tecnologia
O chefe do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Carlos Nobre, também participou da comissão geral e afirmou que a ciência e a tecnologia são fundamentais para que o Brasil cumpra a meta de reduzir em cerca de 36% as emissões de gás carbônico até 2020.

Na opinião de Nobre, o grande desafio do País é reduzir as emissões de gases de efeito estufa decorrentes do desmatamento da Amazônia, o que depende de um modelo de desenvolvimento diferenciado e novo, ainda não existente.

Ele disse que hoje cada brasileiro emite cerca de 10 toneladas de gás carbônico por ano. A meta é reduzir esse número para 8 toneladas em 2020. Essa média é maior que a mundial, de 4,8 toneladas por ano por habitante, mas menor que as 25 toneladas emitidas pelos cidadãos americanos.

Reportagem - Noéli Nobre e Marcello Larcher
Edição - Newton Araújo

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