WWF elogia definição de metas pelo Brasil para emissões de gases

18/11/2009 - 15:39  

A analista do Programa de Conservação da organização não governamental WWF-Brasil, Karen Suassuna, parabenizou o governo brasileiro pela mudança de discurso, ao admitir e colocar para a sociedade mundial que vai haver uma meta de redução das emissões de gases no País. "Sempre fomos vistos como liderança nessa questão do clima, mas era possível notar uma certa timidez no que diz respeito ao conteúdo", disse.

Segundo ela, o WWF percebe o Brasil como um parceiro que ajuda e coopera, e essa ação merece o respeito da organização. "O calcanhar-de-aquiles do Brasil é o desmatamento, mas as ações do governo e o monitoramento mais eficiente nos colocaram em condições de combater essa situação", disse Karen, durante a comissão geral que discutiu, nesta quarta-feira, a política sobre mudanças climáticas.

Energia eólica
O diretor do Departamento de Desenvolvimento Energético, Hamilton Moss de Souza, que representou o Ministério de Minas e Energia, anunciou que o Plano Nacional de Política Energética estará fechado até o fim do ano, inclusive com leilões de energia eólica. "O ministério está afinado com a política do governo, que foi debatida com todas as pastas, e nosso primeiro compromisso é manter essa matriz energética limpa e expandi-la", disse.

Souza também ressaltou que, embora a indústria brasileira consuma entre 40% e 50% da energia gerada no País, o setor representa apenas 8% das emissões. "Isso quer dizer que qualquer produto produzido no Brasil tem menor emissão de carbono, o que nos dá vantagens competitivas", disse.

Código florestal
O deputado Paulo Teixeira (PT-SP), que também participou do evento, pediu cautela com as mudanças no Código Florestal em análise na Câmara. "Não podemos fazer mudanças que aumentem o desmatamento", afirmou.

Ele disse também que o País deve trabalhar para aumentar sua matriz energética limpa, que hoje constitui 45% de toda a matriz brasileira, e aumentar o uso de biocombustível. Teixeira ressalvou que a produção de matéria-prima para o biocombustível, como a cana-de-açúcar, não deve contribuir para o desmatamento de florestas.

Já o deputado Paes Landim (PTB-PI) defendeu a inclusão da Caatinga e do Cerrado entre os biomas cuja preservação é considerada prioritária pela Constituição. Para ele, essa seria uma importante medida para levar a Copenhague, com a proteção desses biomas principalmente com ações que possam evitar a desertificação da região de Caatinga.

Desmatamento
O presidente da Associação Preserve Amazônia, Marcos Mariani, destacou a importância da Amazônia na redução da emissão de gases de efeito estufa e pediu o empenho da Câmara para que não libere recursos para a construção de rodovias na floresta até que o processo de licenciamento esteja completo. "A sociedade vem se manifestando sistematicamente contra essas obras", disse.

Também no evento, o presidente do Conselho Euro-Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável (Eubra), Robson Oliveira, apresentou projetos de apoio à produção de pequenos marceneiros para utilização de madeira nativa de forma sustentável. Para ele, é preciso atuar de forma a reverter o fluxo migratório no Brasil, valorizando pequenas cidades que podem começar a produzir renda.

Já Mônica Nunes, editora do projeto Planeta Sustentável do Grupo Abril, apresentou as ações da empresa em meio ambiente. Segundo ela, o projeto tem utilizado as revistas da editora, inclusive com encartes especiais, para espalhar ideias sobre sustentabilidade.

Reportagem - Noéli Nobre e Marcello Larcher
Edição - Newton Araújo

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