Deputados cobram de Zelaya que não use embaixada com fim político

01/10/2009 - 22:27  

Tegucigalpa - Os deputados que participam da missão externa a Honduras cobraram de Manuel Zelaya, deposto da presidência daquele país no último dia 28 de junho, que não use a embaixada brasileira como palco de manifestações políticas ou que possam provocar conflitos em Honduras.

Zelaya afirmou que está propondo manifestações pacíficas à população e criticou a falta de interlocução com o governo do presidente em exercício, Roberto Micheletti, para solucionar o impasse.

Segundo Raul Jungmann (PPS-PE), coordenador da missão, o presidente Zelaya não aceita qualquer negociação que não inclua a conclusão de seu mandato. "Ele aceitaria retirar a proposta de alterar a Constituição para que pudesse ser reeleito, em benefício do cumprimento integral de seu mandato", informou.

Situação controlada
Os deputados reuniram-se por quatro horas na embaixada brasileira naquele país e afirmaram que a situação na embaixada está controlada pelos diplomatas brasileiros.

O fornecimento de água, luz e comida já foi normalizado, mas ainda não há serviço de telefonia fixa, segundo Jungmann. Ele declarou que há 63 pessoas na embaixada. O governo de Honduras impôs um cerco militar à embaixada brasileira, onde Zelaya está abrigado há 15 dias.

Também participam da missão externa da Câmara os deputados Bruno Araújo (PSDB-PE), Claudio Cajado (DEM-BA), Ivan Valente (Psol-SP), Janete Rocha Pietá (PT-SP) e Maurício Rands (PT-PE).

Garantias
Maurício Rands e Claudio Cajado consideraram o resultado da missão "um sucesso", pois conseguiram garantias institucionais tanto da Suprema Corte quanto do parlamento hondurenho de que a embaixada brasileira não será invadida pelo governo interino - o que era o principal objetivo da missão.

O presidente da Assembleia Nacional de Honduras, José Saavedra, disse que pedirá ao governo interino para suspender o prazo para que o Brasil defina o status do presidente deposto dentro da embaixada - asilo ou refúgio. Assim, segundo ele, o Parlamento e o governo brasileiros terão mais tempo para buscar uma solução.

Em encontro com os deputados, os ministros da Suprema Corte de Justiça de Honduras cobraram do governo brasileiro a definição do status de Zelaya na embaixada, segundo a Convenção de Caracas de 1954. Jungmann afirmou que o Brasil respeita a convenção, mas que adota uma postura humanitária, de respeito às vidas dessas pessoas.

Neste momento, os deputados seguem para reunião com representantes da sociedade civil. Eles retornarão ao Brasil nesta sexta (2) pela manhã.

Continua:
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Reportagem – Rodrigo Bittar/Enviado especial a Honduras
Edição – Maria Clarice Dias

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