Empresários dizem que redução da jornada afetaria competitividade

25/08/2009 - 16:01  

O presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, declarou que reduzir a carga de trabalho para 40 horas semanais engessaria a relação capital-trabalho e significaria um retrocesso no setor produtivo do País. Durante comissão geral sobre o tema realizada hoje pela Câmara, o empresário afirmou que a proposta prejudicaria a competitividade do País. "Na indústria elétrica, estamos perdendo espaço para a Índia em função dos baixos encargos sociais que existem naquele país."

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique da Silva Santos, defendeu a redução da carga e argumentou que houve aumento de produtividade na última década, da mesma forma que o patrimônio e o valor das empresas. Para ele, isso demonstra que há espaço para a redução da jornada de trabalho.

Artur Henrique também respondeu ao presidente da CNI, deputado Armando Monteiro (PTB-PE), que sugeriu que a jornada não seja alterada em lei, mas negociada com os sindicatos setor a setor. "Negociação é importante, e as centrais são as maiores defensoras. Mas por que, quando se discute a terceirização e a redução da contribuição previdenciária, vocês querem que seja por lei? Vamos aprovar a jornada de 40 horas na lei, e depois negociamos para 35 horas", sugeriu.

Tempo para a família
Já o presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Antônio Neto, ressaltou que o principal benefício para os trabalhadores será o tempo para a família, para a educação e a qualificação profissional. "Ninguém mais consegue viver com dignidade nas grandes cidades, com o trânsito, duas horas no mínimo para chegar ao trabalho, e tendo de trabalhar aos sábados, o que aumenta os acidentes de trabalho", disse.

Para o presidente da CGTB, os opositores da redução da jornada de trabalho mais uma vez ameaçam a todos com o caos que poderia ser causado pela medida. Ele lembrou, no entanto, que não houve esse caos com a redução de 48 para 44 horas na Constituição de 1988, nem nos anos 30, quando os trabalhadores conquistaram o direito às férias e à jornada de 8 horas.

Antônio Neto disse que, desde a época da abolição da escravatura (1888), toda vez que os trabalhadores reivindicam melhores condições, o argumento é de que isso inviabilizaria o País, fato que ainda não ocorreu.

Construção civil
O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão, disse que a redução da jornada de trabalho prejudicará o setor da construção civil. Segundo ele, a consequência imediata da medida será o aumento do custo direto das moradias do programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal. "Seria de 4,8% [o aumento], como comprovado em estudo que passarei aos deputados. A verba destinada para o programa deixará de beneficiar 48 mil famílias e 240 mil brasileiros continuarão sem casa", afirmou, lembrando ainda que a prestação mensal a ser paga por uma família também aumentaria.

Na opinião de Simão, a redução da jornada interromperia a caminhada progressiva do setor nos últimos 25 anos. "O setor passa por um dos seus melhores momentos. Caminha corretamente na direção da formalidade. Os empregos formais crescem e os salários, resultados de negociações trabalhistas, se elevam acima da inflação", disse.

Reportagem - Marcello Larcher e Noéli Nobre
Edição - Pierre Triboli

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