Para sindicatos, nova jornada evitará afastamento de trabalhadores

25/08/2009 - 15:51  

O presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNTM), Clementino Vieira, declarou que as doenças ocupacionais e os acidentes de trabalho gerados pela jornada de trabalho excessiva têm sido muito onerosos para a previdência social e para o sistema público de saúde. Ele lembrou que esses trabalhadores recebem da previdência durante o afastamento e podem vir a se aposentar em consequência do acidente.

As declarações foram feitas durante a comissão geral sobre a redução da jornada de trabalho, realizada hoje pela Câmara.

Segundo o presidente da CNTM, 512 mil trabalhadores foram afastados por doenças e acidentes em 2006, ao custo de R$ 9,9 bilhões. No ano passado, foram quase 800 mil trabalhadores afastados e R$ 11 bilhões gastos pela previdência.

Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas,
Reginaldo Araujo Sena, isso só é possível porque a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ainda permite que as empresas requeiram horas extras de seus trabalhadores, que podem chegar a 60 horas semanais. Para ele, não há por que os empresários reclamarem, uma vez que a possibilidade continua aberta.

Doenças do trabalho
O diretor da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em Guarulhos (SP), Eduardo Teixeira Alves, por sua vez, disse que os estudos contrários à redução da jornada não levam em consideração o número de trabalhadores afetados por doenças em razão do excesso de horas trabalhadas.

"Os mesmos empresários não consideraram, nos estudos deles, que o Brasil é o país que mais faz hora extra e que tem a maior rotatividade de trabalhadores", afirmou.

Alves informou que algumas empresas já implantaram as 40 horas de trabalho em Guarulhos, o que resultou em um índice menor de adoecimento, em mais trabalhadores empregados e uma produção maior e com qualidade.

O presidente da Nova Central Sindical de Trabalhadores, José Calixto Ramos, disse que a redução da jornada é instrumento efetivo de geração de postos de trabalho. "A consequência das jornadas intensas é o aumento do número de doenças nos trabalhadores, como o estresse e a lesão por esforço repetitivo. O trabalhador possui pouco tempo livre para o convívio com a família, o descanso e o lazer", afirmou.

Reportagem - Marcello Larcher e Noéli Nobre
Edição - Pierre Triboli

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