Trabalho, Previdência e Assistência

Debatedora pede legislação específica para deficiente intelectual

19/08/2009 - 20:58  

Valéria Társia Duarte, mãe de uma universitária com síndrome de Down, defendeu nesta quarta-feira, em debate na Câmara, a necessidade de haver uma legislação específica para as pessoas com deficiência intelectual que garanta o acesso desses cidadãos ao mercado de trabalho, principalmente no setor público. Ela participou do 1º Fórum sobre Deficiência Intelectual, promovido pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias em conjunto com a Federação Nacional das Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes) e a Apae do Distrito Federal.

Valéria também ressaltou a necessidade de pensão para ajudar os pais nas despesas com o deficiente intelectual. Segundo ela, a educação da sua filha com Down custa o triplo do que gasta com cada um dos outros filhos. Hoje, somente as famílias de baixa renda recebem auxílio do governo.

De acordo com a psicóloga clínica Celine Secunho, apenas a pensão não é suficiente, pois é preciso preparar os deficientes intelectuais para a vida. "Eles devem saber comprar sua roupa e sua comida, para terem uma certa autonomia quando os seus pais morrerem", disse.

Sem paternalismo
A professora da Universidade de Brasília (UnB) Albertina Martinez salientou que todas as pessoas com deficiência geram possibilidades de compensação que devem ser exploradas. "Considerá-las como coitadas é negativo para o seu desenvolvimento", alertou.

Ela disse que uma tendência muito perigosa é limitar as ações educativas ao nível de desenvolvimento atingido espontaneamente pelo deficiente intelectual. Na opinião da professora, todo tipo de atitude paternalista na educação das crianças com deficiência intelectual deve ser eliminado e precisam ser criadas estratégias educativas. Essas crianças, explicou a professora, aprendem de forma diferente das outras pessoas.

Ensino superior
Em resposta a um questionamento do deputado Eduardo Barbosa (PSDB-MG), autor da iniciativa de realização dos debates, Albertina Martinez disse que a UnB tem estrutura para receber os alunos com deficiência. "O programa de atendimento da UnB é o mais avançado do Brasil", disse.

Também professora da UnB, Amaralina Souza afirmou que ainda não se sabe do que os deficientes intelectuais são capazes. "Eles têm muitas limitações, mas a aprendizagem é possível. A inteligência pode melhorar", disse. Ela contou a história de uma professora que passou um exercício de matemática para os alunos e disse para um deficiência intelectual que ele não precisava fazê-lo, pois era muito difícil. O estudante respondeu: "Eu também quero fazer o exercício, pois entendi tudo o que a senhora ensinou."

A coordenadora nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, Izabel Maior, afirmou que na literatura produzida por pessoas com deficiência intelectual se vê sentimentos comuns a todas os cidadãos. Ela destacou que a pessoa nessa situação é produtiva: "No Chile, Espanha e Itália, o profissional com deficiência produz tanto quanto os demais trabalhadores", disse.

Os debates sobre o tema prosseguem amanhã, no auditório Nereu Ramos.

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Reportagem – Oscar Telles
Edição – João Pitella Junior

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